"A verdade é triste"


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Boa tarde filho! Como foi seu dia na escola? Posso olhar seu caderno? Precisa caprichar mais na letra! Por que você não fez essa atividade? Está de castigo! Bons e velhos tempos em que essas questões faziam parte do diálogo de pais e filhos; aliás, não tão velhos assim. Tenho 22 anos, sou educador e essas questões fizeram parte da minha vida. Hoje caíram no ostracismo. Ai de mim se houvesse alguma reclamação sobre meu comportamento na escola! Hoje o menino chega em casa e fala para o pai: “Hoje o professor me colocou para fora da classe” e o pai responde: “vamos lá pegar esse cara!”. Em que ponto chegamos! Acabei de ingressar na profissão e já ouço de outros educadores experientes e consagrados questões como: “você ainda não desistiu, menino?”. Deveria encarar como desaforo? De maneira nenhuma. Encaro como mais uma lição dos professores, profissionais que estimo e pelos quais tenho grande admiração. A verdade é triste, mas carreira no magistério está literalmente ameaçada por uma sociedade que não aprendeu ainda a conjugar os verbos educar, disciplinar e corrigir, não por culpa da escola, mas por mérito próprio. Rodrigo Borges Franca - SP

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