A ausência de planejamento e de ideias inovadoras é uma das marcas do governo Sidnei Rocha. Autoritário e centralizador, com uma equipe que serve apenas para tocar o dia-a-dia, sem autonomia e capacidade de criar, vivendo ainda na era do rádio, o prefeito tem apenas um objetivo: vender a tese conservadora que não precisamos de políticas, mas de gerência.
Para isso, é preciso apenas marketing e a permanente criação de factóides, estar na mídia. Na verdade, seu governo se resume ao recapeamento de ruas, obtido às custas de um contrato que não foi discutido em profundidade e engessou o futuro de Franca e dos usuários compulsórios dos dispendiosos serviços de água e esgotos da Sabesp.
De tempos em tempos, espasmodicamente, Sidnei lança ações desconexas e contraditórias. De um lado, alterou o Plano Diretor para aumentar os limites da cidade. De outro lado, critica a falta de recursos orçamentários para investimentos. Quanto maior a cidade horizontalmente, maior será a despesa da prefeitura para manter os serviços públicos. Quem entende?
Criou a “crise dos bolotas” por falta de diálogo e apostou apenas na repressão. Fez o mesmo com as calçadas, que agora liberou em parte, desde que paguem por isso. Onde estava a fiscalização quando uma poderosa empresa de automóveis, situada à avenida campeã em multas de trânsito, a Ismael Alonso (número 739), substituiu uma calçada plana por uma outra inclinada para atender seus carros, onde só é possível andar com uma muleta? E ainda colocou uma cerca elétrica a 50 centímetros do solo, onde qualquer criança pode tomar um choque? Nada disso tem um centavo de investimento público, bastaria apenas cumprir a lei, a tal lei que existe para uns e para outros não.
É impossível caminhar com segurança nas calçadas de Franca por falta de fiscalização da Prefeitura. Não são as mesas de bares as responsáveis pela infelicidade dos pedestres nesta cidade, são os pisos destruídos ou inadequados, os obstáculos às centenas. O governo de Sidnei não investe nesta questão, nem a Promotoria. As rampas de acessibilidade que existem na cidade foram todas construídas na gestão do Gilmar. Depois disso, nada.
Agora, Sidnei inventa outro factóide. O pomposo “Visual Novo”. Cópia mal-ajambrada de projetos similares de outras cidades, o projeto rejeitado pela Câmara incluía, dentre outras coisas, pérolas como a proibição de anúncios ofensivos à moral e bons costumes. Quem analisaria isto, o próprio prefeito?
O que surgiu em São Paulo depois que aplicaram lei similar? Fachadas deterioradas, prédios horrorosos caindo aos pedaços. Aqui não seria diferente. A cidade é obra coletiva, que envolve a produção de arquitetura, a mesma arquitetura que foi escondida pelas muralhas diante da violência urbana. Não se vê mais as fachadas, só muros e cercas. Só cidades onde o planejamento, a criatividade e a democracia vicejam podem alterar o rumo de uma urbanização insustentável.
O factóide do “Visual Novo” desvia nosso olhar do que realmente importa: uma cidade onde sua arquitetura e urbanismo funcionem e estejam ao alcance de todos os que vivem nela. E esta não é a cidade que Sidnei Rocha almeja.
Mauro Ferreira
Doutor em Arquitetura pela EESC-USP, professor da FESP-UEMG
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