Com redução no mapa de vendas no início do ano, a Carmen Steffens anunciou no dia 5 de março que precisaria demitir 300 pessoas de uma vez. A única alternativa para evitar os cortes seria a redução da jornada de trabalho. No dia seguinte, a empresa realizou uma votação secreta entre os trabalhadores e 73,8% dos votantes aceitaram a redução da jornada.
Pela lei, para que o acordo fosse implantado, o Sindicato dos Sapateiros deveria homologá-lo. Funcionários chegaram a pressionar a entidade a fazê-lo, mas a diretoria se negou. Depois de muita briga e bate-boca entre o empresário Mario Spaniol e Paulo Afonso, presidente da entidade, a Carmen Steffens decidiu arriscar e alterar a rotina na linha de produção para preservar os 300 empregos.
Durante 70 dias, funcionários tiveram expediente três vezes por semana e folgaram duas. Para se preservar de sanções, o departamento jurídico da Carmen Steffens tentou protocolar documentos da votação secreta feita na empresa. "Conforme determina a lei, fizemos o chamamento do sindicato dos trabalhadores, mas eles se negaram a assinar. Diante da recusa, convocamos a federação da categoria, mas ela também se recusou. Por fim, encaminhamos a documentação para o Ministério do Trabalho", disse Adriana Mendonça, advogada da fábrica.
A empresa espera receber o posicionamento do Ministério na próxima semana.
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