Conluio


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Estava próximo o final da década de 1930 quando reinava Zé Honório, o bom vaqueiro, nos currais da Fazenda Japão. Tipo pândego, falastrão, sempre chamava a atenção com os causos que contava. Alguns, na sua linguagem cabocla trazida das Minas Gerais com vestimentas inocentes, eram hilários nas reuniões ao pé da bancada do leite, onde tora avantajada de angico servia de banco sempre que o sol se punha. Ali, a beleza vermelha do pôr do sol servia de fundo ao riso solto de quantos chegavam de ouvidos atentos ao palavrório chistoso do Zé Honório. Conluiado ao ajudante de curral, incutia na cabeça do filho do administrador suas qualidades de bom peão para vê-lo na montaria de bezerros de raça, sempre recomendando segredo. Cada tombo do menino fazia a festa do vaqueiro alegre a gargalhar pelos cantos. Sentindo-se pago pelo trabalho de laçar o bicho, passar-lhe pela virilha o arrochado sedém, abrir o espetáculo, vibrar em alegria a cada corcovo do animal a fim de livrar-se do peso no lombo. Misturado ao cheiro do estrume bovino espalhado na palha do estábulo, o menino caía mergulhando a cabeça para explodir o grito da torcida comandada por Honório. Um martelo de boa cachaça coroava o acontecido. Enquanto as estrelas começavam a pontilhar no céu o bordado brilhante de luz e graça, o Zé imitava com jeitinho rouquenho as velhas irmãs Maroca e Umbilina, fuxicando na colônia a vida alheia: – Pois lhe conto, comadre Lina, as duas sem aprumo lá da ponta, pandeiro arrebitado, exibidas na água de cheiro, capricham no conluio, para saltar cambão nas barbas dos bobocas, maridos confiantes na fidelidade delas. Ao iniciar o presente texto, pretendia buscar reminiscências que pudessem alegrar o espírito, pois, o noticiário de todo dia sacrifica o leitor no conteúdo dos fatos. Era de boa intenção levar amenidade que tornasse a vida mais alegre, no entanto, não foi possível a partir de conhecer a opinião do Lula sobre a instalação da CPI da Petrobras. Que ele, presidente, considere irresponsável e pouco patriota a CPI, não leva ninguém a admiração, que assim tem sido em seus dois mandatos mostrando orientação técnica perfeita em operar manobras lesantes à economia do povo brasileiro. A história atesta sem dificuldade a verdade do descalabro posto em prática pela irmandade petista no governo com ação e conluio em todas as áreas da república. A partir da confissão do parlamentar de que pouco se lixa para a opinião pública, o que pode esperar o eleitor de um governo que apóia o carnaval das passagens aéreas e mais: confessa dela ter participado? Estamos certos de que uma CPI na Petrobras, se exercida nos mínimos ditames da honra, provará sim, que ali campeia a imoralidade, a irresponsabilidade administrativa e, até mesmo, a falta de patriotismo. É à custa de conluio, que Lula virou e continua presidente em busca do terceiro mandato. Garcia Netto Jornalista

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