Há cinco meses, os moradores do Bairro Santo Agostinho não conseguem dormir tranquilos aos fins de semana. Tudo por causa da “algazarra” feita por frequentadores de uma boate que funciona na Rua Goiás, próxima às residências. Dentro ou fora da danceteria, o público inferniza a vizinhança. Quando a festa acaba, a curtição continua nas ruas e no antigo Posto Modelo. Os frequentadores ficam aglomerados no meio da rua, impedindo a passagem, transformam terrenos baldios em motéis, gritam, ouvem som alto nos carros e utilizam a estrutura abandonada do posto para usarem drogas. Muitos ainda tiram racha na Avenida Doutor Ismael Alonso Y Alonso. Só no Condomínio Spazio Fratelli, que fica a 50 metros da boate, 250 pessoas sofrem com os problemas.
A situação é tão séria que desde fevereiro a Polícia Militar realiza operações no local todas as sextas e sábados. Segundo o Capitão Araújo, comandante da 1ª Companhia da PM, nestes três meses, nove motoristas foram presos em flagrante por embriaguez e três veículos acabaram apreendidos porque os condutores não tinham condição mínima de levá-los embora ou estavam sem os documentos.
Em algumas semanas, o tormento chega a durar quatro dias. As festas são realizadas de sexta a domingo. Às vezes acontecem às quintas. Anteontem a professora Luciene Moraes, 47, se desesperou com o pagode tocado até de madrugada, véspera de segunda-feira. Apelou para objetos nos ouvidos, mas nem assim “pregou os olhos”. “Era mais de meia-noite e eu não conseguia dormir. Fechei os vidros, as portas e as cortinas, mas nada resolveu. Por fim coloquei algodão nos ouvidos”.
<b>Ouça abaixo o desabafo da professora Luciene Moraes:</b>
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Luciene se sente insegura em sua própria casa. Ela mora sozinha com dois filhos pequenos, de 10 e 8 anos, e quando chega com as crianças fica com medo. “A sensação é de invasão. É comum eu chegar e encontrar várias pessoas bebendo em frente à garagem. Tem muitos homens. Tenho medo de buzinar e eles reagirem mal”. Outros moradores chegam a dar volta no quarteirão para fugir da bagunça.
As tentativas de eliminar os problemas já se arrastam há três meses. O síndico do condomínio Luciano Engrácia já procurou três órgãos diferentes. Numa pasta, arquiva os abaixo-assinados de 50 moradores protocolados na Prefeitura, Promotoria e Polícia Militar. “Existe um descaso das autoridades. A polícia só atende depois de vários moradores insistirem. Eu mesmo já esperei mais de uma hora pela viatura”, disse ele. O Capitão Araújo, da PM, disse que o efetivo é pequeno para atender toda região. “Só tenho duas viaturas para aquela área. E aos fins de semana é muito grande o acúmulo de ocorrências, principalmente de barulho, por isso a demora”.
<b>Ouça abaixo Luciano Engrácia, síndico do condomínio vizinho a boate:</b>
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Informada dos transtornos no estabelecimento do bairro, a Prefeitura determinou que a boate fosse isolada acusticamente. O proprietário Thales Valim disse que já cumpriu a ordem, mas na rua não tem o que fazer (leia apoio).
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