Público faz a festa na Virada Cultural


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Roger, do Ultraje a Rigor, tirando foto da plateia para a sua página no facebook e convidando o público a baixar suas novas músicas na internet, de graça.
Roger, do Ultraje a Rigor, tirando foto da plateia para a sua página no facebook e convidando o público a baixar suas novas músicas na internet, de graça.
Talvez nem mesmo nos seus melhores dias de final de campeonato, o Ginásio Poliesportivo recebeu tanta gente. No sábado e domingo à noite, o local foi tomado por milhares de pessoas atrás do grupo Fundo de Quintal e Ultraje a Rigor, duas das principais atrações da Virada Cultural Paulista, evento que sacolejou Franca das 18 horas de sábado às 18 horas de domingo e mudou a cara da cidade no fim-de-semana. Na segunda edição, o público finalmente justificou a aposta da Secretaria de Cultura do Estado e da prefeitura, o que não aconteceu no ano passado. Ao todo foram 21 atrações, entre teatro, dança popular, música pop, rock e samba. Nem mesmo problemas pontuais, como a qualidade de som no Póli (de novo) e informações desencontradas sobre alguns horários, tiraram a animação de quem tentou seguir a programação. Com números conflitantes entre si, a Secretaria Estadual de Cultura divulgou um público de pouco mais de 37 mil pessoas nos dois dias, enquanto a Fundação de Esportes, Artes e Cultura (Feac), ligada à prefeitura, apontou a presença de 10 mil pessoas a mais. Como a Polícia Militar não contabilizou a quantidade de frequentadores, não é possível ter uma terceira fonte. Se a concentração de gente divulgada dá a impressão de ser maior que a real, isso é o que menos parece importar. Nas quase 24 horas de shows e apresentações, nenhum incidente foi registrado. Eventuais problemas, como a presença ostensiva de flanelinhas nos dois locais, mereciam atenção maior da Guarda Civil e da PM. No Teatro Municipal todas as atrações tiveram casa lotada. No Póli, tirando alguns horários ingratos, o comparecimento também foi grande. No sábado, se havia dúvidas sobre a preferência musical dos francanos, ela se desfez por completo antes, durante e depois da apresentação do grupo de samba Fundo de Quintal. Sem integrantes com nomes no diminutivo e sem apelar para letras chulas, o Fundo de Quintal, surgido no Rio de Janeiro, na década de 70, subiu ao palco à meia-noite para uma apresentação de uma hora e 10 minutos. Mas eles não eram a única promessa da noite. Antes, às 18h30, pontualmente, caberia ao Farofa Carioca abrir a Virada Cultural. Com irreverência e qualidade de sobra, a banda teve o azar de ser a primeira a se apresentar, quando o público não era dos mais interessantes. Mesmo assim, e com folders com a programação de Santa Bárbara D’Oeste sendo distribuídos na entrada do Póli, o show foi impecável, despretensioso. Nota 10 para o trio de metais, emprestando uma sonoridade ainda mais vibrante às músicas. Ainda no Póli, às nove da noite, os cinquentões bacanas do Rádio Taxi cantaram seus sucessos que embalaram muitos casaizinhos na década de 80. Entre coisas bobinhas, típicas da produção musical daqueles anos, destaques para Eva, versão da música italiana com o mesmo nome, e canções de Kiko Zambianchi e Capital Inicial. Se o público, jovem, não conhecia a maior parte das letras, a banda saiu do palco com duas dos Beatles, fechando com Twist and shout e I wanna hold your hand. No Teatro Municipal, a pontualidade das apresentações, marca da Virada Cultural, foi se desfazendo aos poucos. Márcio Ribeiro que deveria se apresentar às 2 horas, ou à 1 hora, como constava em outro folheto, acabou entrando no palco quase três da manhã do domingo. Os shows anteriores também tiveram atrasos. Pouco antes, também com cadeiras tomadas, fora a vez do Grupo Andaluzes, de Franca, apresentar sua peça Sapateiros, com dança flamenca. Para quem já assistiu a apresentação mais de uma vez, fica a sensação de que algo estava faltando e que as coreografias poderiam ser bem melhores e mais bem ensaiadas. Pontos negativos foram o violonista vestido com calça jeans e um paletó duas vezes maiores que ele. Alguém também precisaria ter pedido à Feac para limpar o chão do palco. No domingo, as atrações voltaram cedo, com a Orquestra Sinfônica no teatro e música no Pedrocão. Às 15 horas, o punk-rock do Ratos de Porão com sua quase música atraiu roqueiros e neo-roqueiros para o póli. Pouco depois, com 45 anos de estrada, Zimbo Trio fez um show perfeito no Teatro Municipal executando os maiores clássicos da música popular brasileira. Só não foi memorável para um grande número de adolescentes que insistia em tirar a paciência de quem queria ouvir clássicos como Atrás da Porta, de Chico Buarque e Francis Hime, ou Garota de Ipanema, de Tom Jobim. Para fechar a conta, o Ultraje a Rigor com seu rock inofensivo cantou para um ginásio lotado. Mesmo com a péssima acústica do local, o que impedia a compreensão das letras das bandas, prejudicando muitos acordes mais elaborados, a exemplo do que já havia acontecido nas apresentações anteriores, o grupo divertiu a todos. Tirando foto da plateia para a sua página no facebook e convidando o público a baixar suas novas músicas na internet, de graça, se o vocalista Roger queria colocar todo mundo para pular, conseguiu. Ficou o gosto de “quero mais” na boca.

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