Sem reajuste nos repasses do poder público e com queda nas doações da comunidade, os lares de idosos de Franca, correm risco de serem obrigados a cortar atendimentos. Levantamento feito pelo Comércio, em novembro último, aponta que mais de 300 idosos dependem dessas entidades na região. O custo é alto, principalmente porque boa parte dos atendidos têm sério comprometimento de saúde.
Exemplo das adversidades enfrentadas no dia-a-dia é o Lar de Ofélia, da Fundação Espírita Judas Iscariotes. A casa funciona no Jardim Planalto desde 1977 e abriga 107 idosos, de ambos os sexos. Segundo o presidente Cloves Barbosa, nos últimos 18 meses as doações despencaram para menos da metade. A entidade recebia o equivalente a R$ 20 mil mensais em alimentos e produtos de limpeza. O valor passou para R$ 8 mil. “Parece que os corações ficaram um pouco insensíveis. As entidades precisam de ajuda dos empresários e da comunidade. Não podemos esperar tudo do governo”.
<b>Ouça a entrevista com Cloves Barbosa:</b>
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Ao assumir os gastos, o lar fica sobrecarregado. Os reflexos da falta de ajuda serão a redução do atendimento e o corte de investimentos na especialização dos profissionais. “O lar não pode ser um depósito de velhos. Temos de ter qualidade de vida e precisamos de uma equipe especializada. Mas os recursos para isso acabam comprometidos sem as doações”. No local trabalham 45 funcionários.
Lá o gasto per capita é R$ 1 mil mensais. Parte desse valor é repassada pelos idosos (aposentadoria) e o restante proveniente das subvenções municipal, estadual e federal, aluguéis de imóveis da Fundação e doações. “A subvenção das três esferas somam apenas R$ 183, em média, por mês”.
A Instituição Nosso Lar também convive com “defasagem” nos repasses. O valor pago pelo Estado é suficiente para pagar apenas as despesas com uma das 42 senhoras atendidas. Segundo a assistente social Maria Correia, o total pago é R$ 1.404 por mês e o gasto mensal por idosa, R$ 1.300. Para complicar, a entidade deixou de ganhar cestas básicas nos últimos dois anos. “A comunidade colaborava mais”.
Os cortes na ajuda foi sentido mais recentemente pelo Lar Eurípedes Barsanulfo, desde janeiro de 2009. A instituição atende 19 pessoas. Com alimentação consome R$ 5 mil ao mês. “Realmente estamos passando por dificuldades. O fator crise faz com que as pessoas e empresas fiquem retraídas. Antes o lar não gastava com alimentação. Sempre traziam cestas aqui na porta, mas hoje essa contribuição praticamente inexiste. Passamos a comprar”.
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A situação é preocupante. Como no Lar de Ofélia, o presidente José Jacintho teme que chegue um momento em que a entidade não poderá abrigar mais idosos. “Se essa situação for duradoura, teremos de parar de recebê-los. Como não têm para aonde ir, suspenderemos novos contratos”.
O lar tem feito promoções para contornar as dificuldades. “Temos de vender mais. Se vendíamos 200 almoços, passamos para 300. Pelo menos nas promoções, as pessoas contribuem”, disse José. As entidades pedem doações de alimentos, materiais de higiene e limpeza, roupas e dinheiro.
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