Só quem vive o dia-a-dia desta gente sofrida que fica anos a fio na fila esperando uma casa, sabe das dificuldades enfrentadas por quem, como eu, se inscreveu em busca de moradia em 1990! Eu consegui minha casa graças ao sistema justíssimo de entregas segundo ordem de inscrição junto à PROHAB. Na década de 90 assisti pessoas, muitas sem a necessidade de serem contempladas, apadrinhadas por vereadores, prefeitos, deputados e até presidentes de centros comunitários. Todos faziam a festa em detrimento daqueles que, realmente, necessitavam de moradia. Um dia, alguns vereadores corajosos aprovaram na Câmara o projeto que determinava a entrega segundo a ordem de inscrição, das mais antigas para as mais novas. Isso recriou minha esperança e eu fui, a partir disso, contemplada. Moro hoje em minha casa popular. Em todo o período em que esperei, as casas que chegaram da CDHU foram entregues por sorteio. Participei de todos e nunca fui contemplada (apesar de minha inscrição ter mais de 10 anos na época). Vi inúmeras injustiças, pessoas com inscrições de apenas dez, quinze dias antes do sorteio e outras, até mesmo que já tinham imóveis, sorteadas. O sorteio é uma forma cruel. Isto posto, quero dizer que casa popular não é loteria, é um direito do trabalhador. Assim sendo, acho que o sistema de contemplação das inscrições mais antigas é a forma mais justa e mais correta para todos os inscritos. Vi dias atrás entrevista do Secretário de Habitação do Estado de São Paulo, que opinou no sentido de adotar o sistema de inscrições mais antigas para a CDHU, modificando o sistema atual, que é por sorteio. E ele disse que concorda com a forma que acabei de explanar aqui. Minha opinião, então, não é solitária.
Aparecida das Graças Silva
Franca - SP
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