Na carteira de identidade do comerciante Camel Hulu, 48, consta que ele nasceu em Rifaina. Mas basta dar uma volta pela cidade e verificar que a grande maioria dos moradores nasceu em outra cidade, principalmente Pedregulho e Franca. Desde 1971, a Santa Casa do município está desativada por falta de recursos e profissionais. Com isso, todas as gestantes são transferidas para Pedregulho. Desta maneira, é possível dizer que não nasce “rifainenses” há quase 40 anos.
O aposentado Agenor Rodrigues, 79, foi o último provedor do hospital - no período de 1969 a 1971 - e ainda lembra quando fechou as portas. “A gente não tinha arrecadação nem profissionais. O médico atendia uma vez por semana. Desde que o hospital fechou, os partos são feitos em Pedregulho”. Essa prática não acontece apenas em Rifaina, das nove cidades da região, em apenas Pedregulho e Patrocínio Paulista são realizados partos. Dependendo de onde moram, as gestantes precisam percorrer até 32 quilômetros de ambulância até a Santa Casa de Franca.
Além de Rifaina, a Santa Casa de Pedregulho também é referência para os moradores de Jeriquara. Por mês são realizados, em média, 20 partos das três cidades. “O pré-natal é feito nas próprias cidades e as gestantes são encaminhadas apenas no momento do parto”, disse a administradora da Santa Casa Luciene Vilela.
Às vezes não dá tempo e a criança nasce antes do previsto. A atendente Terezinha Rodrigues trabalha há mais de 20 anos no Posto de Saúde de Itirapuã e se recorda de três mulheres que deram à luz no próprio posto. “O bebê veio antes do esperado.
Como não ia dar tempo de chegar até Patrocínio, o parto foi feito aqui mesmo”. Em São José da Bela Vista, mesmo tendo hospital, as gestantes precisam percorrer 32 quilômetros de carro para dar à luz. “As mulheres fazem cursos e passam por psicólogos”, disse a secretária de Saúde, Cintia Ambrósio, alegando que as gestantes ficam tranquilas mesmo tendo que percorrer uma longa distância em trabalho de parto.
<b>IBIRACI</b>
Em Ibiraci (MG) o Hospital Municipal deixou de realizar partos há dois meses. A médica Sandra Toledo, única a realizar o procedimento, parou o atendimento após denúncia de gestantes que perderam os bebês. Para mostrar que foi uma fatalidade, a médica fez um levantamento entre os anos de 2000 e 2008 sobre mortalidade infantil. Neste período, a cada mil nascidos vivos 17 morreram antes de completar 28 dias. “Fizemos o comparativo com outras cidades e Ibiraci apresentou o menor índice. Em Belo Horizonte foram 20 mortes a cada mil nascimentos”.
<i><b>Colaborou Bárbara Borges</i></b>.
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