Educação começa no berço


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Todas as regras de boa educação têm um só objetivo: a harmonia das relações entre os membros de uma comunidade. Há indivíduos que se julgam peritos em boas maneiras, mas que são autênticos selvagens pela forma como se comportam no dia-a-dia. A falta de boa educação e de boas maneiras irrita-me profundamente. Não me faltam exemplos de pequenos e grandes atos em que vejo prevalecer o interesse pessoal em detrimento do respeito pelo outro ou pelo meio ambiente e imperar a Lei de Gerson - a lei de levar vantagem em tudo. O que pensar, por exemplo, de um jovem que está sentando na cadeira de um ônibus ou nos bancos da igreja e vira o rosto quando percebe um idoso em pé? Ou então de quem sai para passear com seu cachorro e acha natural deixar as fezes dele pelas calçadas, desrespeitando os pedestres que certamente passarão por ali? O que dizer de quem corta a palavra do outro ou desvia o rosto, em nítida desatenção ao que ele está falando? Como analisar a postura de quem se proclama educado, mas joga lixo pela janela do carro e fuma em ambientes fechados? O que comentar sobre quem se diz pacífico, mas é prepotente com um garçom, uma empregada doméstica, o zelador do prédio ou uma pobre vendedora de loja? Seria esse nosso mundo um grande teatro? Seríamos todos atores? Ou palhaços de um circo de terceira, encenando numa Babel perdida no tempo? Cresci ouvindo a minha mãe dizer: quem tem vergonha, não envergonha os outros. Dias atrás estive numa loja, comprando algo que nem lembro mais. Ao lado uma consumidora gesticulava e reclamava de alguma coisa. O tempo passava e ela ia ficando cada vez mais irritada. Encostei mais um pouco para tentar saber o que estava acontecendo. Percebi, sem muito esforço, que se tratava de um ser daquele que pode ser classificado como chato, abusado, arrogante e sem o mínimo de educação. Estava claro que a vendedora tinha toda razão, mas a mulher insistia. Tive muita vontade de interferir, de sentar no lugar da vendedora e mandar aquela disseminadora de injustiças e de energias negativas para aquele lugar que todos nós sabemos onde é, mas que nunca queremos ir. É preciso acabar com esse lance de que os vendedores em geral precisam aguentar abusos. Só ganham com isso empresários e lojistas, enquanto os funcionários ficam arrasados, com sérios problemas psicológicos, tendo que suportar gente mal educada e se achando o máximo. Para mim devia ter também defesa dos funcionários, com iguais poderes que tem a defesa dos consumidores. Eu testemunharia com prazer a favor da funcionária daquela loja, e aqui deixo meu apelo para os donos de estabelecimentos comerciais: afastem do emprego os funcionários que não tratam bem os clientes, mas defendam com unhas e dentes os que são agredidos por clientes chatos, mal humorados e mal educados, que não tendo razão, que comprem em outro lugar. Afinal, vendedores são seres humanos e não devem ser humilhados em nome dessa filosofia furada que o cliente tem sempre razão. Pouco importa se a descortesia contra vendedores é feita de público ou mesmo de maneira reservada, que quase ninguém perceba. Não deixa de ser má educação. Nesse dia, naquela loja, foi instantâneo. Voltei a lembrar-me do ensinamento materno: quem tem vergonha, não envergonha os outros. CORAÇÃO DE OURO Pode-se dizer tudo do companheiro presidente Lula, menos que ele não tem um grande coração. Agora mesmo estouraram as notícias de que até mortos estariam inscritos - e recebendo - os benefícios do Bolsa Família. Como se pode ver, o presidente não abandona os seus nem depois que desencarnam e continua pagando suas bolsas regularmente para que, no céu ou no inferno, eles continuem a levar um estilo de vida menos miserável. Exigir mais do que isso de um gestor é maldade. Afinal são poucos os que se preocupam com seus eleitores vivos. Que dirá depois de mortos. NEGATIVO Delúbio Soares, Marcos Valério e José Dirceu continuam soltos. E querem me proibir de fumar na rua e agora também no interior de botecos, por não ser politicamente correto. Só no Brasil! POSITIVO De repente, jornais, televisões e afins passaram a prestar mais atenção nos espirros vindos do México do que na bolsa de Nova York. A crise, se não acabou, passou para um melancólico segundo plano, cedendo espaço e terreno a míseros vírus que nem parecem ser a ameaça que nos fizeram crer quando do seu aparecimento. A gripe se espalha, mas sua virulência é bem menor do que a de um tiroteio no Rio de Janeiro ou um final de semana em Bagdá, o que simplifica nossa vida. Felizmente! CRIANÇAS MAL-EDUCADAS O velhinho está no ponto do ônibus, apoiado na sua bengala. No ponto também está um senhor com uma dúzia de filhos. Chega o ônibus e os garotos sobem primeiro tomando todos os lugares vagos e obrigando o velhinho a ficar em pé. De repente, o ônibus dá uma brecada e o velhinho quase cai. Pouco depois outra brecada e, mesmo se apoiando em sua bengala, o velhinho acaba sendo jogado para a frente do ônibus. O pai dos 12 moleques lhe diz: “se o senhor tivesse uma borracha na ponta de sua bengala, não teria quase caído duas vezes!”. E o velhinho responde: “É, mas se o senhor tivesse colocado uma borracha na ponta da sua, eu poderia estar sentado agora!”. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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