Ao cruzar as ruas, alarme de carro, uma sirene de ambulância, insistente aviso do carro do bombeiro, inevitavelmente apela por nossa atenção para abrir caminho à emergência exigindo socorro. É preceito de boa educação facilitar a passagem, colocando-se em estado de alerta que minimize tragicidade.
A edição deste Comércio no dia 7 de maio enfatiza na página dois – Objetiva – o alto grau de preocupação que aflige a sociedade. Na mesma data, publicou matéria (página A-8) destacando o absurdo de ocorrências agressivas nas escolas da cidade.
As notícias repetidas nos mais variados países do mundo, com triste balanço de muitas mortes de alunos e professores, assustam pacatos comportamentos humanos. Diante dos fatos chocantes registrados em nossas salas de aula, no pátio de escola, ameaças a professores ou seus familiares, as agressões diárias nos locais de ensino, nada tem a ver com resquícios de boa educação. A Secretária Municipal de Educação, Leila Haddad Caleiro, gravou com absoluta propriedade a necessidade dos pais junto à escola para boa preparação de alunos e filhos na construção do futuro da nação. Sua colocação: “a escola instrui e a família educa”.
Se de um lado, não defendemos o uso corretivo da palmatória usada no passado, muito menos aprovamos a liberalidade vilã instituída no mundo moderno. Usa-se hoje de todos os recursos, em nome da liberdade e direitos humanos, para levar pessoas a ignorar os princípios de disciplina e limites, absolutamente necessários na boa educação e ética.
Já muito se ouviu dizer que educação vem do berço, no entanto, parece hoje em caduquice a expressão, quando se caminha com celeridade para a extinção da família cujo alheamento de pais e mães cresce em aviltamento ao relacionamento humano. Não há força que justifique desestruturação da família. Uniões desfeitas, obrigatoriedade de trabalho, ligações precoces e não refletidas, paternidade irresponsável, não bastam para liberar do dever imposto pela sociedade aos maus agentes da reprodução humana. Filhos não podem passar pelo abandono e nem por ausência de encaminhamento de seus passos na trilha do respeito e da ética. Aqui defendemos a punição severa dos pais.
O sinal de alarme foi disparado e não há mais tempo a perder. As ameaças de morte, o aparecimento de armas em recintos escolares, as agressões verbais e corporais, agora ocorrências em universidade, cujo nível, apesar de lamentável, não poderia acolher destempero ineducável assim.
Passa da hora dos responsáveis pelo ensino assumirem sua verdadeira função e os pais, suas responsabilidades. Duas forças agindo em uníssono, falando a mesma língua, buscando os mesmos objetivos, cobrando cumprimento de deveres do estado, com ação na correção dos alunos ainda será possível a reversão do triste quadro.
Enquanto pequenino, se pode torcer o pepino. Corrigir agora, em casa ou na escola, punir por amor, castigar com serenidade na instituída família, sempre será melhor que chorar juntos na tristeza escura do presídio.
Garcia Netto
Jornalista
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