Aos 28 anos, a sapateira Maria Zélia Santos ainda fica emocionada quando se lembra de uma passagem vivida com os pais e os três irmãos na infância. Sua família sempre pagou aluguel. Quando tinha 10 anos, seu pai, que era serviços gerais, perdeu o emprego e deixou quatro alugueis atrasar. A família acabou despejada da casa em que vivia na Vila São Sebastião. “Fomos parar na rua. Um tio nos acolheu. A gente já sofreu muito”, disse ela, chorando.
Casada há três anos e mãe de Vitor Gabriel, de 1 ano, Maria Zélia deseja um futuro melhor e mais seguro para o filho. Ela e o marido, Carlos Lamarca, 23, sonham em ter a casa própria. “Quando ele tiver nossa idade, queria que tivesse a casa dele”. A adesão de Franca ao programa Minha Casa, Minha Vida reacendeu a esperança do casal de conseguir um teto para chamar de seu.
<b>Ouça aqui o depoimento de Carlos Lamarca:</b>
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O casal trabalha numa banca de pesponto em sua residência e consegue entre R$ 750 e R$ 800 por mês. Metade é destinada ao pagamento da locação do imóvel. Segundo eles, todo mês enfrentam uma verdadeira batalha para conseguir o dinheiro. “Pagando aluguel, deixo de comprar as coisas para meu filho. Muitas vezes deixo ele com vontade de comer as coisas porque não tenho como comprar. A prioridade é pagar o aluguel. O dono da casa busca todo mês o dinheiro, certinho. Não podemos atrasar”.
Os dois se cadastraram na Prohab em 2004, quando estavam noivos, mas não foram contemplados por programas de habitação. No mês passado, enquanto costuravam sapatos, ouviram no rádio o lançamento do Minha Casa, Minha Vida. Desde então, o assunto que predomina enquanto estão trabalhando é a casa. “Estamos sonhando acordados com o dia que teremos a chave da nossa casa nas mãos”, disse Carlos.
Eles não têm muitas exigências para o novo lar. Hoje vivem numa casa de cinco cômodos, na Vila Aparecida, mas não se importam se tiverem uma mais modesta. “Pode ter só três cômodos. Um quarto, cozinha e banheiro. O que importa é falar que é nossa”, disse Carlos.
<b>O MAIOR DOS SONHOS</b>
A cozinheira Elza de Jesus, 40, é outra francana que se emociona só de se imaginar entrando em uma casa e poder dizer que é sua. Faz 15 anos que está inscrita na Prohab e espera ser contemplada com um imóvel. Ela tinha casa própria, de três cômodos, no Jardim Luiza, mas ao se separar do marido, venderam a residência. “Usei o dinheiro para pagar dívidas e não consegui comprar outro lugar. Vivo de aluguel. Pago R$ 180 todo mês”.
O salário dela é R$ 600, mas nem sempre consegue reservar todo dinheiro para manter em dia o pagamento da moradia. “O sonho de todo mundo é conseguir uma casa. A gente paga aluguel toda vida e sai sem nada. No mês passado, tinha de pagar dia 5, atrasei até dia 20. O deste mês tenho de pagar agora, mas está faltando R$ 35 e eu não tenho”.
A Prefeitura de Franca aderiu ao programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida e anunciou a meta de construir 3 mil unidades para destinar a famílias com renda mensal de até R$ 1.395, ou seja, três salários mínimos (leia ao lado). Na Prohab, mais de 5 mil famílias estão inscritas para concorrer aos imóveis novos.
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