Hospital de Ibiraci está há dois meses sem realizar partos


| Tempo de leitura: 3 min
Grávida de nove meses, a dona de casa Loredane Carrijo, 28, de Ibiraci (MG), espera o terceiro filho para o dia 14 de junho. Ela está ansiosa porque já começou a sentir dores. Além de estar nos últimos dias de gestação, ela está apreensiva por ter que percorrer 32 quilômetros de ambulância até Cássia para fazer o parto. O transtorno de viajar uma longa distância em trabalho de parto não é vivido apenas por Loredane. Todas as gestantes da cidade terão que ir para Cássia, Passos ou Franca no momento de dar à luz. Há dois meses a médica Sandra Elena Toledo, 48, deixou de realizar partos no Hospital Municipal de Ibiraci. Como era a única profissional responsável pelos partos naquela cidade, as gestantes estão sendo transportadas para outros hospitais. Após 21 anos fazendo partos, sendo dez deles sozinha em Ibiraci, Sandra Toledo pediu para se afastar da função por tempo indeterminado. A médica diz não estar bem emocionalmente depois que três denúncias foram registradas contra ela na delegacia da cidade. Os casos foram registrados no ano passado. No primeiro deles, faltou oxigênio e a criança foi transferida para a Santa Casa de Franca. Após dez dias de internação, faleceu. No segundo caso, a criança nasceu morta ao se enforcar com o cordão umbilical. No terceiro caso, a médica diz que a mãe estava com pressão alta e a gravidez era de risco. Ela indicou a internação, mas a gestante, segundo a médica, pediu para adiar para o dia seguinte. Quando voltou a criança já estava morta. “As famílias se revoltaram e denunciaram. Desde então estou com medo e insegura. Por isso resolvi dar um tempo”, disse Sandra Toledo. Em 21 anos de profissão, a médica acredita ter realizado mais de 2 mil partos e considera os três casos uma fatalidade. “Fico sentida porque gosto muito de fazer partos. Fizeram até abaixo-assinado para eu voltar, mas neste momento estou me sentindo incapaz”. Mesmo não realizando partos, a médica continua trabalhando no hospital fazendo inclusive o pré-natal das gestantes como o da dona de casa Loredane Carrijo. Após a morte do recém-nascido, a Secretaria de Saúde de Ibiraci realizou um levantamento do número de partos realizados no município no período de 2000 a 2008. Segundo o estudo, a cada mil nascidos dez nasceram mortos e sete morreram até 28 dias de vida. De acordo com informações da Polícia Civil, não foi constatado erro médico no caso em que a criança foi enforcada com o cordão umbilical. Os outros dois casos estão sendo investigados e não há previsão de quando serão finalizados. <b>TRANSPORTADAS</b> Desde que os partos deixaram de ser realizados no Hospital Municipal de Ibiraci (MG) a Secretaria de Saúde do município enfrenta um transtorno. As pacientes precisam ser transportadas de ambulância ou em carros da família para hospitais de Franca (38 quilômetros de Ibiraci), Cássia (32 quilômetros de Ibiraci) ou para Passos (83 quilômetros). “As gestantes ficam apreensivas”, disse a secretária de Saúde de Ibiraci, Solange Ferreira. A secretária disse ainda que respeitou o pedido de afastamento da médica responsável pelos partos na cidade e que existe a possibilidade dela retornar ao trabalho. “Existe essa possibilidade, mas, se ela decidir não voltar, teremos que contratar outro profissional”, afirmou Solange, sem falar em prazos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários