Raízes e frutos


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A liturgia da Palavra deste 5º Domingo da Páscoa sublinha a união vital dos discípulos com o Ressuscitado. No domingo passado, Jesus apresentou-se como o Bom Pastor. Hoje, Ele apresenta-se como a “verdadeira videira”. Jesus Cristo ressuscitado apresenta-se como videira e revela o Pai como agricultor. Ele nos convoca a uma relação de intimidade comparada à dos ramos com o tronco da árvore. A comunidade dos discípulos missionários que permanecer unida ao Ressuscitado terá vida plena e, como a videira, produzirá os frutos desejados pelo Pai. Esta comunidade será verdadeira testemunha da presença do carinho de Deus (o agricultor) no meio da sociedade. A primeira leitura é colhida dos Atos dos Apóstolos. Refere-se à estadia de Paulo em Jerusalém, depois de ter saído de Damasco. Revela o medo e a desconfiança da comunidade de Jerusalém, pois não acreditava “que ele fosse discípulo”. Apesar disso, Paulo esforça-se para integrar-se à comunidade dos discípulos, sublinhando a importância da partilha da fé com os irmãos. A mediação e o testemunho de Barnabé sobre Paulo foram significativos diante da comunidade. Em Jerusalém, Paulo segue com entusiasmo, testemunhando Jesus Cristo, enfrentando corajosamente as dificuldades e as oposições suscitadas por sua pregação. A segunda leitura é composta por um trecho da 1ª Carta de São João. Em sua primeira Carta às comunidades, apresenta uma espécie de síntese da vida cristã autêntica. A prática do mandamento do amor vai além de sentimentos e afetos. Ela se concretiza em ações que promovem a vida e a felicidade dos irmãos. Mais do que belas palavras, são as ações concretas em favor do próximo que dão credibilidade à vivência cristã e testemunham o plano salvador de Deus. O evangelho relata a parábola da videira, seus ramos e os frutos. Através da alegoria da videira, dos ramos e dos frutos, o Mestre orienta os discípulos para que deem continuidade à sua missão no mundo. A imagem utilizada por Jesus tem um significado especial para o universo religioso judaico. A videira era o símbolo de Israel como povo de Deus. Agora, Jesus apresenta-se como a verdadeira videira cultivada pelo Pai (“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor”). Ele e aqueles que o seguirem são o verdadeiro povo de Deus (a videira e os ramos, os discípulos). Evocando a realidade da poda que o agricultor faz no início da primavera, Jesus deixa uma severa advertência: quem do novo povo não produzir frutos, o Pai cortará. Doutra parte, o ramo que produzir bons frutos, receberá os cuidados do agricultor para que produza ainda mais. O ramo, todavia, não tem vida própria. Ele só produz frutos se estiver unido ao tronco, do qual recebe a seiva. O discípulo produzirá frutos graças ao Espírito que o Ressuscitado lhe comunicar. Nesta visão, a inexistência de frutos revela a falta de unidade com Jesus: “porque sem mim vocês não podem fazer nada”. O fruto, a que Jesus se refere agora, é a resposta de adesão daqueles que ouviram sua Boa Nova, pois é a escuta da Palavra que estabelece unidade com o tronco. Jesus conclui a alegoria revelando a sorte “dos ramos jogados fora”, ou seja, daqueles que se afastam da comunidade do novo povo: serão recolhidos e queimados. Quem, no entanto, permanecer em sintonia com Jesus e entregue à missão poderá contar com a colaboração ativa do Mestre. Unidos produzirão abundantes frutos para a glória do Pai. Os frutos desta aliança são a justiça, a solidariedade, a fraternidade e o amor. O agricultor expande-se de alegria quando vê a planta cercada por seus cuidados, carregada de bons frutos. Não produz frutos quem anda pelas vias do egoísmo, do ódio, da injustiça e do desrespeito à dignidade do outro. Resta uma pergunta: Que ramo eu sou na grande videira que é a Igreja? Seco ou vivo? José Geraldo Segantin Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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