Se formos ao dicionário veremos que antropomorfismo é o sistema dos que atribuem à divindade, forma corpórea e paixões semelhantes às dos homens.
Segundo este sistema de idéias, Deus deve ser um velhinho de longas barbas brancas, sentado num trono situado no centro do universo. E tem mais! Como os homens, tem preferências e se deixa convencer por oferendas e promessas.
É comum repetir-se a afirmativa: “Deus é brasileiro”. Se se deseja, com isso, dizer que Deus prefere o povo brasileiro em detrimento dos demais povos criados por Ele, comete-se um atentado à Sabedoria e à Justiça Divina, porque Ele ama seus filhos igualmente. Outros dizem: “Deus me protegeu!”, mas todos não são criação de Deus? Então, por que o Criador haveria de proteger uns em detrimento de outros?
Outro dia, como já vira outras vezes, um jogador disse: “Deus nos ajudou e vencemos a partida”. Quase que dá para ver o Criador de chuteiras, defendendo um time contra o outro. Ora, esta é uma visão antropomórfica que apequena o Criador. Jesus disse à mulher samaritana que “Deus é espírito” e, ao que consta, o Espírito Divino não tem as carências, as preferências, as paixões humanas.
Na resposta que os espíritos deram à pergunta de número 1º de O Livro dos Espíritos encontramos: Que é Deus? E a resposta: “Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas”.
Como podemos verificar, logo na primeira pergunta o Codificador Allan Kardec impessoaliza Deus, porquanto não pergunta quem é Deus, o que provocaria uma resposta pessoalizando o Criador.
Depois, pela resposta, vemos que Deus é um espírito (conforme afirmara Jesus) porquanto a Inteligência e a Causalidade são atributos indissociáveis do Grande Arquiteto. Com Inteligência Suprema arquitetou todo o universo pelo seu imenso amor e pela sua infinita competência. Tudo nos seus devidos lugares para albergar a Divina Criação. Criação que saiu Dele mesmo já que Ele é ilimitado, não podendo haver nada fora Dele.
Ora, se tudo esta Nele, tudo sai Dele. Então podemos entender a onipresença de Deus, já que não pode ser limitado, posto que, algo ou alguém que fosse além dos citamos limites seria o verdadeiro Deus. Este é o Deus revelado pelo Espiritismo. Suprema bondade, justiça, amor e inteligência. Sem Ele nada existiria e tudo pertence a Ele.
Este Deus não tem preferência, não tem escolhas, não premia ou pune. Criou as Leis que governam a vida, neste e noutros planos. Estas Leis obedecidas e cumpridas trazem a felicidade.
Contrariadas provocam a nossa infelicidade que, então, nós mesmos, pelo nosso esforço, haveremos de combater. Por isso Emmanuel escreve: “Devemos crer no Deus que fez os homens, não no Deus que os homens fizeram”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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