Nessa última quarta feira, eu observava a substituição de uma propaganda, em certo outdoor, incomodado com os pedaços rasgados, da propaganda anterior, caindo pelo chão. Confesso. Fiquei na expectativa de saber o que o encarregado do serviço faria com aqueles resíduos. Será que cataria e levaria embora?
O vi terminar o serviço, recolher suas tralhas, colocar no caminhão, para partir. Não me contive. Perguntei quem limparia a calçada e a rua, sujas. Sua resposta foi curta e grossa: “eu é que não vou... não tenho tempo”. E não teve mesmo, foi embora.
Naquele momento, tentando controlar a minha indignação, fiquei pensando sobre a realidade presente no nosso cotidiano urbano.
Empresas colocam outdoors e vendem seus espaços sem qualquer critério. Outdoors estão por toda a cidade, muitos quase caindo aos pedaços. Panfletos, pouco lidos, são distribuídos pela cidade divulgando serviços espirituais, empréstimos financeiros, promoções de vendas de carros, tantos outros produtos e serviços.
Lojas continuam a poluir suas fachadas com um amontoado de propagandas, sem esquecermos das cores indecentes com que são pintadas. Placas são colocadas nas lojas e em diversos pontos da cidade, sem respeito a estética, design, tamanho, posicionamento. Enfim, nada!
Diversos pontos comerciais, especialmente bares e mercearias/supermercados não se dispõem a varrer suas calçadas ao final do expediente, limpando a sujeira deixada por seus fregueses e pela falta de lixeiras. Cidadãos (?) espertos jogam lixo e entulhos em terrenos baldios porque, para eles, é melhor depositar o lixo na área vizinha do que na própria casa, mesmo sabendo que o recolhimento terá que ser feito pelo serviço público.
Vários são os exemplos da poluição visual e da sujeira urbana. Problemas que se originam na ausência de educação, cultura e, obviamente, fiscalização.
Tudo isso representa uma agressão à cidadania. O cidadão perde seu direito de participar da dinâmica da cidade para se transformar apenas em consumidor, mero expectador do que acontece. A poluição visual degrada os centros urbanos e causa desconforto visual.
Mas essas não são as únicas consequências. Existe a econômica. Parte dessa sujeira gera custo para o município e nós o pagamos através dos impostos. Em 2004, a Prefeitura gastava cerca de R$ 240 mil com varrição pública, ou seja, gastávamos quase o custo de construção de um prédio escolar limpando a sujeira que nós mesmos jogamos nas ruas.
É hora de estabelecermos novas regras de postura urbana, melhorar a estrutura de fiscalização e, principalmente, investir em uma ampla campanha, conscientizando cada cidadão de que ele é responsável pela limpeza da frente de sua casa/comércio, da sua rua e da sua cidade. Com isso, além de combatermos a poluição visual e a sujeira urbana, combateremos a poluição da ignorância e da falta de cultura.
Cassiano Pimentel
Agente de Exportação e professor universitário
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