Simplista demais


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Adeptos da teoria da conspiração anunciam aos quatro ventos que a nova versão da doença provocada pelo Influenza – a gripe A H1N1, ex-suína – não passa de mais uma daquelas manobras muito bem elaboradas para atender aos caprichos do mercado. O que não é de todo impensável. Uma visita rápida ao site de um dos maiores laboratórios farmacêuticos do mundo parece estimular ainda mais a imaginação dessa gente com mania de perseguição. Procurando manter as coisas sob controle surgem os organismos internacionais e suas teses, escalas e metodologias que na maioria das vezes funcionam muito bem no papel, reservando para a prática de campo surpresas cada vez mais desastrosas. Surgem também os gestores públicos dos sistemas de saúde e de controle sanitário. A verborréia se torna notória e a qualquer momento alguém diz: “estamos preparados para impedir a chegada do vírus”, como se isso fosse simples e possível. Enquanto isso, ninguém explica porque um vírus de uma doença suína resolveu de uma hora para outra provocar a doença em seres humanos. Absorvidos pelo pânico das notícias uníssonas de que há uma pandemia os Homo Sapiens são incapazes de raciocinar e produzir questionamentos sobre as verdadeiras causas de tal mudança de comportamento. Na verdade, o mais simples a fazer é colocar a culpa no vírus. Apesar de simplista demais a ideia faz sentido e é rapidamente aceita pela população, que acuada corre para as farmácias atrás do antivírus. Simplista também parece ser a ideia de que o uso de máscaras trará alguma proteção. Mas isso não importa. O sensacionalismo produz medo que leva a irracionalidades desse tipo e a tantas outras como, por exemplo, carregar frasquinhos com álcool na bolsa para limpar as mãos, etc. e tal. O que ninguém diz é que muito provavelmente essa nova gripe, assim como a aviária e alguma outra variante que ainda possa aparecer pode ter como causa primeira uma equação conhecida por muita gente, porém pouco difundida e estudada, talvez por contrariar alguns interesses. O fato é o seguinte, animais confinados, o uso indiscriminado de antibióticos, hormônios e corticóides, são condições extremamente favoráveis ao desenvolvimento de vírus e bactérias resistentes e mutantes. Por outro lado, seres humanos aglomerados em grandes centros urbanos, adeptos de hábitos alimentares pouco saudáveis e com consumo intenso de substâncias extremamente prejudiciais ao sistema imunológico, tornam-se vítimas fáceis destes micro-organismos. Portanto, se este raciocínio estiver correto, e eu acredito seriamente que está, o mais importante a fazer nesse momento é adotar práticas saudáveis de vida, eliminando o mais rápido possível os hábitos que possam impedir nossas defesas naturais de funcionarem efetivamente. Não posso crer que essa seja a pandemia que dizimará a espécie humana, mas a frequência com que tais manifestações da natureza se fazem presentes em nossos dias deveria nos colocar em estado de alerta e não em pânico cego e burro. É simplista demais imaginar que o vírus é o único responsável pela doença. A bem da verdade nossos hábitos insalubres parecem favorecer muito mais os agravos à saúde. Alexandre Henrique Leonel Farmacêutico, ex-conselheiro deste jornal

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