O alarde em torno da epidemia de gripe suína no mundo provocou queda no consumo de carne de porco em Franca. Açougues, principalmente nos bairros mais periféricos da cidade, sentiram redução nas vendas de cortes como costelinha, pernil e lombo.
Houve estabelecimento que ficou até cinco dias seguidos sem vender um quilo do produto. Preocupada, a OMS (Organização Mundial de Saúde) tem reiterado nos últimos dias que não há como contrair a doença consumindo carne de porco preparada de modo adequado.
Na casa de carnes Santa Cruz, o proprietário Carlos Donizeti da Silva disse que os clientes começaram a trocar o porco pela carne vermelha e de frango. Com isso, em uma semana, ele deixou de vender mais de 20 quilos de carne suína. “Carne de porco sempre vende menos em relação a outras carnes, mas depois das notícias dessa gripe as vendas ficaram ainda menores”, disse.
Proprietário de um açougue no Jardim Portinari, Ailton de Paula Ribeiro, também percebeu que suas vendas caíram quase pela metade nos últimos 15 dias. Com uma venda média de 200 quilos semanais, conseguiu na semana passada vender somente 120 quilos. Para ele, é necessário uma maior divulgação do fato de não haver risco de infecção ao comer carne de porco cozida. “Quando começou as notícias de que a gripe havia se espalhado, fiquei uma semana sem vender um quilo de porco”.
Chefe de Vigilância da cidade, Fernando Baldochi, reitera que não há necessidade de preocupação por parte dos consumidores do produto. “Não há nenhuma possibilidade de contágio por ingestão, mas, como qualquer outra carne, é preciso prestar atenção a detalhes como higiene e armazenamento”, disse. Segundo Baldochi, o resfriamento inibe a presença de bactérias e o cozimento elimina qualquer outra doença que possa surgir do consumo da carne.
Embora haja divulgação da ausência de risco no consumo do alimento e até mudança no nome da gripe, alguns estabelecimentos ainda registram perda de vendas em relação à carne de porco. Num açougue da Vila Santa Terezinha, o proprietário Jânio Barcelos Cardoso disse que os clientes mais idosos são os mais receosos na hora de comprar carne.
“Eles optam pela carne vermelha pois acreditam que a carne de porco possa causar algum problema. É uma maneira de prevenção dizem”. Cardoso diz que em uma semana mais de 80 quilos de carne suína deixaram de ser vendidos por medo da gripe.
No frigorífico Camari, em Cristais Paulista, especializado em suínos, as vendas diminuíram duas toneladas em uma semana. “Perdemos mercado, muitos restaurantes passaram a comprar menos. Acredito que a queda tenha chegado a 12%”, diz o diretor da empresa José Camilo Mendonça, que também registrou queda no preço da carne. “O consumo está menor a ponto do preço da arroba cair 4% em uma semana. Antes a arroba era R$ 45 com esse recuo passou a R$ 43”.
<b>E mais: Secretaria de Saúde descarta casos de gripe suína em duas pessoas observadas em Franca.
Ouça abaixo Alexandre Ferreira, Secretário de Saúde:</b>
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