Para o Promotor de Justiça Fernando de Andrade Martins, que exigiu o cumprimento da lei que proíbe mesas e cadeiras nas calçadas, os comerciantes estão “reclamando de barriga cheia”. Ele diz que o resultado poderia ser pior, pois a lei permite a cobrança pelos anos anteriores de uso do espaço público.
<b>Comércio da Franca</b> - Como o senhor avalia o primeiro mês da retirada definitiva de mesas das calçadas?
<b>Fernando Martins</b> - Vejo como positivo o resultado e estou na expectativa de termos um regulamento para disciplinar tudo isso. (...) Quem tem que regulamentar o uso da calçada é o município, fixando onde pode e qual o preço que será pago. Tem que fazer um estudo técnico. Não pode ser de qualquer jeito.
<b>Comércio</b> - Os comerciantes se queixam dos prejuízos...
<b>Fernando</b> - Olha, jovem, isso aí não é da minha alçada. Eu não cobrei dos comerciantes o tempo que eles ficaram usando sem pagar nada. Estou pensando nisso, põe aí. Ficaram anos usando área pública sem pagar um tostão e ainda estão reclamando? O quê que é isso meu Deus do céu? O ser humano é demais. (...) Quem usou área pública durante tanto tempo, a rigor, teria que pagar pelo tempo que usou.
<b>Comércio</b> - O senhor pensa em cobrar por esse tempo?
<b>Fernando</b> - O problema foi solucionado de maneira equilibrada. Agora o pessoal ainda está achando ruim. Então não entenderam ainda. Se fosse levar a rigor, esse pessoal teria de indenizar a comunidade por todo tempo que usaram a área pública. (...). Não tem permissivo legal para isso. Isso existia na cidade por falta de fiscalização. As pessoas que tinham de fiscalizar se omitiram. Não é porque se omitiram que vai continuar com o erro. Mas parece que quem está reclamando não entendeu que o molho ficou com pouca pimenta. Tinha que ter mais pimenta porque não foi cobrado o tempo que usaram.
<b>Comércio</b> - Então poderia ser pior?
<b>Fernando</b> - Estão reclamando de barriga cheia, estufada, cheia de lucro, durante tanto tempo usando sem pagar nada. Eu não sou contra o uso da calçada. Eu adoro uma mesinha na calçada, eu sou um sujeito amante do happy hour, do sambinha, da cervejinha gelada, sou um brasileiro normal, mas a calçada tem que ser usada dentro de critérios e com o preço correspondente.
<b>Ouça abaixo o promotor Fernando Andrade Martins:</b>
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