Jesus, o bom pastor


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Hoje é o domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Jesus ressuscitado, como Bom Pastor, revela ternura e cuidado para com seu povo, em especial com os pobres e sofredores. O que a Palavra de Deus nos diz sobre esta festa do Bom Pastor? A primeira leitura é dos Atos dos Apóstolos, capítulo 4. Pedro e os primeiros cristãos, animados pelo Espírito, enfrentam corajosamente aqueles que se opõem e recusam a Boa Nova de Jesus que o Pai ressuscitou dos mortos. Confessam que Jesus é a pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou a pedra angular, base do projeto de vida nova e plena que Deus revelou à humanidade. Ele é a fonte donde brota a salvação. Jesus ressuscitado é o único pastor que conduz o rebanho às verdes pastagens e às águas tranquilas, isto é, à vida plena. A segunda leitura é colhida da 1ª carta de São João, capítulo 3. João lembra os membros das comunidades cristãs que eles são filhos de Deus, em razão do grande amor que Ele tem pela humanidade. A condição de “filhos” dá aos cristãos uma posição singular diante do mundo. A filiação divina, recebida pelo Batismo, é uma realidade que envolve o fiel por toda a sua vida e que implica a prática coerente com as obras e as propostas de Deus. O evangelho foi escrito por São João, capítulo 10 que fala sobre a ação do verdadeiro pastor e o que faz o mercenário, aquele que não é pastor. Jesus apresenta-se, afirmando: “Eu sou o bom pastor”. Destaque-se aqui o adjetivo “bom”. Em outros termos, Ele diz: “Eu sou o modelo de pastor, o pastor ideal”. À primeira vista, parece muita presunção de Jesus. Ocorre que o contexto é de polêmica entre Jesus e os líderes do povo judeu. As palavras do Mestre ecoam como denúncia ao modo como o povo era tratado por seus líderes. Para tornar as coisas ainda mais claras, Jesus contrapõe as atitudes do “verdadeiro pastor” e do “pastor mercenário”. Este trabalha por dinheiro, o rebanho não lhe pertence, limita-se a cumprir determinadas obrigações. Abandona o rebanho sempre que aparece algo que ponha em risco sua vida e, fugindo, deixa as ovelhas ao alcance das feras e dos ladrões. O bom pastor, por sua vez, conhece cada uma de suas ovelhas, tem uma relação pessoal e íntima, comparável à relação de amor e de intimidade que Jesus tem com o Pai. É precisamente este amor que o leva a doar a própria vida e a não fugir diante das ameaças e do perigo. Todavia, seu pastoreio não se limita às fronteiras de Israel. “Tenho também outras ovelhas que não são deste curral”. Seus cuidados de pastor destinam-se a levar a vida a todos os povos da terra. “Também a elas eu devo conduzir; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”, de tal sorte que todos quantos ouvirem sua voz (acolherem e aderirem à sua Boa Nova) constituirão a comunidade (rebanho) da qual Ele é o único Pastor. Jesus revela as razões que movem sua missão. Despojado de interesses pessoais, com total liberdade, doa sua vida em cumprimento da vontade do Pai, para que as ovelhas tenham vida e vida em abundância (Evangelho). Sem vaidade própria, Jesus apresenta-se: “Eu sou o Bom Pastor”. Ser pastor evoca vigilância, atenção, segurança e terno cuidado. Pastor é o que conhece, chama e conduz às pastagens férteis e às águas refrescantes. Esta figura transformou-se em sinônimo de pessoa que guia e está à frente de um povo, de uma comunidade, solícito e centrado naquilo que lhe diz respeito. Ao apresentar-se como Bom Pastor, Jesus coloca-se em contra-posição com os líderes e donos do povo que, nas horas de dificuldade, abandonaram-no tornando-se mercenários. O Bom Pastor é bom, por ser Filho de Deus e porque doa sua vida pelas ovelhas. Jesus acresce à tradicional imagem do pastor um elemento novo: “Pastor é aquele que dá a vida por suas ovelhas”. Entregando sua vida e ressurgindo para a nova vida, Jesus apresenta-se à comunidade dos discípulos como o Pastor por excelência. Ele entrega sua vida movido pela lógica do amor e não dos interesses e benefícios pessoais. Quem não ama até a doação de sua vida, não pode ser tido como pastor exemplar. O pastor está sempre vigilante aos perigos e aos ataques do inimigo do rebanho. Na atualidade, os lobos manifestam-se de muitas e sofisticadas formas. Através de pessoas, como o Papa Bento XVI, os bispos em suas dioceses, os padres nas paróquias e os incontáveis agentes de pastoral, Jesus, o Bom Pastor, continua doando sua vida, manifestando seu carinho e sua atenção para cada um de nós, para cada comunidade eclesial, em especial aos pobres e sofredores. Estes são os privilegiados da ternura e do cuidado do Bom Pastor. José Geraldo Segantin Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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