Bate-boca generalizado paralisa sessão da Câmara


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<b>PRESSÃO TOTAL</b> - Cerca de 80 estudantes compareceram ontem à sessão da Câmara para acompanhar a votação do projeto de lei que permitirá a compra de passagens para o transporte coletivo muni
<b>PRESSÃO TOTAL</b> - Cerca de 80 estudantes compareceram ontem à sessão da Câmara para acompanhar a votação do projeto de lei que permitirá a compra de passagens para o transporte coletivo muni
A Câmara Municipal foi palco, ontem, de uma confusão que envolveu vereadores, estudantes e guardas-civis municipais. O bate-boca generalizado, que paralisou a sessão por duas horas, ocorreu durante a discussão de um projeto de lei da vereadora Graciela Ambrósio (PP). A matéria determinava o fim do limite no número de passagens com desconto para estudantes no transporte público municipal. O projeto foi aprovado, mas ainda tem de ser sancionado pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB) para entrar em vigor. Atualmente cada aluno pode comprar até 50 passagens por R$ 1,10, metade do preço normal. Cerca de 80 estudantes assistiam a sessão e pressionavam pela aprovação do projeto. Diziam que a quantidade atual é insuficiente para que eles desenvolvam suas atividades extra-aulas. Os alunos intensificaram os protestos e vaiaram quando a Comissão de Justiça e Redação deu parecer contrário à proposta alegando ilegalidade e inconstitucionalidade. Por outro lado, aplaudiram os vereadores e estudantes que faziam a defesa da matéria. Diante do clima tenso, a Mesa Diretora pediu segurança. Em poucos minutos, quatro guardas- civis se posicionaram no plenário. Junto com eles, estava o secretário municipal de Segurança, Sérgio Buranelli. A vereadora Graciela não gostou. "Gostaria de saber quem chamou a Guarda Civil. Peço que os guardas sejam retirados, pois aqui não tem bandido", disse, irritada. O vereador Marco Garcia (PP) criticou o comportamento dos universitários e defendeu a manutenção da segurança. "Os estudantes falaram um monte de baboseiras e nós ouvimos", disse. Foi prontamente rebatido por uma universitária. "Você não presta atenção em nada. Fica o tempo todo ao celular", esbravejou a jovem. A partir daí, houve uma sequência de troca de farpas e agressões verbais. Desconfortável com a discussão, o presidente da Casa, Joaquim Ribeiro (PSB), conhecido por sua aversão à polêmica, anunciou a suspensão da sessão por duas horas. Eram 19 horas e apenas um dos cinco projetos da pauta havia sido discutido. A revolta de estudantes e alguns vereadores foi imediata. "Não estamos na ditadura. O senhor não pode fazer isto. É uma vergonha, um desrespeito. Não há motivos para isto. A manifestação dos estudantes é pacífica", disparou Graciela. "Eles estão desrespeitando a Casa. É uma falta de compostura", rebateu o presidente da Câmara. O vereador Paulo Afonso Ribeiro (PT) ainda tentou apaziguar a situação e propôs uma trégua: os guardas e o secretário de Segurança sairiam do plenário e os estudantes só se manifestariam ao fim dos pronunciamentos dos vereadores. O acordo foi fechado, mas o presidente da Câmara - que poderia revogar a suspensão dos trabalhos - havia deixado o prédio às pressas. Graciela afirmou, então, que a sessão poderia ser reaberta pelo vice-presidente, Marcelo Valim, que se esquivou. "Não posso fazer isto. É antiético", respondeu o tucano. "Antiético é o que fizeram com os estudantes", devolveu a delegada. "Nossas reivindicações eram totalmente pacíficas, um sinal de democracia", completou a universitária Isis Dantas Menezes. <b>APROVADO</b> A sessão foi reaberta às 21 horas com os universitários ainda mais barulhentos. Os guardas e Buranelli ficaram do lado de fora. Depois de cansativos e repetitivos discursos, a oposição endureceu e convenceu os outros vereadores a rejeitarem o parecer da Comissão de Justiça. Também foi derrubado o pedido de adiamento por cinco sessões e o projeto foi aprovado com dez votos favoráveis e quatro contrários. “Sinto que foi feita justiça”, disse Graciela.

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