Voz feminina


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Não tenho proximidade com certas pessoas importantes de várias áreas de atividades, seja nos campos literários, lideranças empresariais, políticos e outros. Não preciso de emprego ou favores adjacentes, fatos que me deixam em liberdade para nutrir por elas integral apreço por gestos de nobreza ou ojeriza por mesquinharias. Assim, ao expor sentimentos, o faço com o mais elevado espírito de justiça. Diante do descalabro vivenciado com progressão no Congresso Nacional, lamenta-se o povo brasileiro com o fato de a totalidade de seus componentes, estarem envolvidos na dilapidação da economia do País. A maioria atua visando benefício para si e apaniguados. Outros justificam com bom argumento: "trata-se de prática normal". Alguns, em nome do corporativismo, se calam, cuidando, quem sabe, do próprio anonimato. Com todo este circo armado em Brasília navegando na gastança do furto, lá se vão os recursos que deveriam estar na saúde e educação. O Brasil vive de sonhos e mentiras de espertos faladores alimentando esperança com chalaça bem ao gosto do povo. Enquanto o tempo passa, o povo ordeiro e trabalhador, assiste sem voz que bem o represente o silêncio das entidades, clubes de serviços, maçonaria, organismos políticos, organizações religiosas, sindicatos, associações, todos em submissão, nunca dispostos a um protesto para contraditar a imoralidade que grassa. A oposição, a tolerante oposição, porque tão leniente? Na verdade não há oposição. Os congressistas formam um só bloco coberto por manto que protege seus interesses. De nossos representantes na Assembleia Legislativa ou Câmara Federal, quando e onde se registrou a presença de um deles na tribuna gritando contra as barbaridades e maus costumes entre seus iguais? Não tenho notícia. Vivemos na orfandade, sem voz que grite por nós. E o canhestro de nosso comportamento e ação tem sido uma evidência que se pode realçar. Quem não pede não ganha. Na loteria, é premiado quem joga. Não se configura tudo perdido quando um exemplo de coragem aparece em nosso caminho, no entanto, é necessário que se o reconheça e respeite-o, juntando-se a ele os esforços. No final de 2008, em palestra que proferia em São Paulo, uma corajosa voz feminina, cobrou de Aloizio Mercadante (PT) uma Reforma Trabalhista para o País. E acrescentava: "Se vocês do PT não fizerem com sindicatos gostando de vocês, quem o fará?". No 8º Fórum Empresarial de Comandatuba (BA), presentes Michel Temer, Henrique Meireles, vários senadores, a mesma corajosa voz feminina, em nome de 300 executivos brasileiros interpelou as lideranças políticas: "O que o Congresso pretende fazer para evitar gastos desonestos com o dinheiro do povo brasileiro?". Diante das respostas evasivas, a dona da voz, superintendente do Magazine Luiza, francana, Luiza Helena Trajano Rodrigues, firme, contestou: "Nós votamos em vocês. Não dá para o dinheiro público ser tratado assim. Nas empresas, quem gasta mal é mandado embora. Se vocês estão dizendo que são poucos os que agem assim, então os bons devem lutar para os que não são (bons) saiam". A justificativa de Ubiali, que não convence, já foi divulgada por este Comércio em 23 de abril. Garcia Netto Jornalista

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