Gaeco recorre e pede condenação de policial


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<b>EQUIPE REFORÇADA</b> - O Gaeco conta, agora, com quatro promotores de Justiça para investigar o crime organizado na região: da esquerda para a direita, José Lourenço, Yuri Borges, Dilson Santiago e Cl&aacu
<b>EQUIPE REFORÇADA</b> - O Gaeco conta, agora, com quatro promotores de Justiça para investigar o crime organizado na região: da esquerda para a direita, José Lourenço, Yuri Borges, Dilson Santiago e Cl&aacu
O Ministério Público em Franca, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado), ingressou com recurso no Tribunal de Justiça pedindo a condenação do investigador Nilson Ruela por corrupção. No ano passado, o policial ficou preso por 68 dias acusado de receber propina de camelôs para não apreender CDs piratas. Há duas semanas, o policial foi absolvido das acusações em primeira instância por falta de provas. Na manhã de ontem, o Gaeco anunciou que o recurso de apelação contra o investigador já foi interposto no TJ. “Entendemos como razoável e justo que a questão fosse levada ao Tribunal de Justiça para que uma nova avaliação das provas seja feita. Avaliamos que as provas produzidas são suficientes para a condenação”, afirmou o promotor Cláudio Watanabe Escavassini. Para tentar reverter a absolvição, o Ministério Público usará a transcrição do depoimento inicial do ambulante Eurípedes Esneider de Carvalho, o “Nei”. Durante as investigações, ele afirmou aos promotores ser o responsável por pegar o dinheiro recolhido com os camelôs e pagar a propina ao policial, a quem identificou como Nilson. O depoimento foi filmado e gravado. Após a prisão do investigador, a testemunha negou as acusações em juízo. Disse que havia falado sob coação. Com isto, o testemunho foi desconsiderado. De acordo com o Gaeco, o vídeo com a gravação da conversa passou por perícia e comprova a lisura da investigação e o envolvimento do policial. “O vídeo havia sido feito como medida de segurança. A partir do momento em que o Nei quebrou o compromisso, dizendo que foi torturado e coagido aqui, oferecemos à Justiça esta mídia com a gravação. Esperamos que o Tribunal dê o peso necessário a esta prova, pois ela mostra que a testemunha fez todas as revelações de forma espontânea”, disse Escavassini. Os promotores afirmaram que não há dúvidas do envolvimento do policial no esquema de recebimento de propina. A mudança de versão da testemunha se justificaria pelo medo de represálias. “Denunciar policiais, denunciar esquemas de crime organizado em geral é um peso enorme. Existe muito temor por parte das pessoas. Elas temem pela vida. Acredito que, em função disso, ele voltou atrás”, finalizou o promotor. O advogado de Nilson Ruela, Reginaldo Carvalho, disse ter recebido com tranquilidade a decisão do Ministério Público. Para ele, recorrer é obrigação dos promotores. “Para a defesa não muda nada, pois não há provas contra o nosso cliente. A única tese deles é este depoimento do Nei que foi dado sem advogado, sem testemunha e sem nada. Se fosse verdade, o dinheiro teria aparecido. O Nei não mudou de versão. Ele foi à Justiça e disse a verdade, só que estava com o advogado e amparado pelos princípios constitucionais da ampla defesa”, afirmou Carvalho. <b>REFORÇOS</b> Criado em agosto de 2007, o Gaeco de Franca anunciou ontem a chegada de dois novos integrantes. Dilson Santiago de Souza, de Igarapava, e Yuri Borges de Mendonça, de Guaíra, vão se juntar a José Lourenço e Cláudio Escavassini, ambos de Franca. O órgão investiga o crime organizado, em ações como lavagem de dinheiro, roubo de cargas, tráfico de entorpecentes e os praticados na administração pública e atua em 14 cidades da região. O Gaeco foi o responsável pela prisão dos cinco vereadores de Igarapava acusados de exigir propina para aprovar projetos do prefeito Francisco Tadeu Molina (PSDB) e do empresário francano acusado de participar de um esquema de fraude contra instituições bancárias e Receita Estadual. A quadrilha que ele integra teria sonegado R$ 7,6 milhões.

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