<p>Apesar de jovem, Clayton Oliveira Soares de Lima, 35, gerente regional da CVC de Franca, está longe de ser um novato no setor. Pelo contrário, conta com uma vivência de quase duas décadas de atuação na área. Em seu currículo, constam viagens a dez países, além de uma extensa incursão pelo interior do País. </p>
<p>Atualmente, faz em média uma viagem por mês, sempre a trabalho. Mas, claro, não deixa de aproveitar e acumular conhecimentos novos e aliar o lazer. “Para você ter uma ideia já fui do sul ao norte de muitos Estados. É até difícil contabilizar, mas posso dizer que já conheci todos os Estados”, disse Lima. Os locais preferidos? Madri, na Espanha, pela vida noturna, e o Caribe, pelo sempre aprazível clima.</p>
<p><br />Nascido em Maringá (PR), onde começou a carreira, Clayton veio há dez anos para São Paulo. Antes de chegar a Franca, atuou como gerente regional da CVC em Ribeirão Preto por três anos. Encarou como um desafio o convite de comandar a regional de Franca - até então a empresa operava na cidade somente por intermédio de outras agências. Era um trabalho novo, de cativar e formar uma clientela.</p>
<p><br />Lima aceitou e conseguiu rapidamente os primeiros resultados. A primeira unidade da CVC foi inaugurada no Franca Shopping em 2007, enquanto o escritório da empresa, no Bairro São José, está em funcionamento desde o ano passado.</p>
<p><br />Hoje Clayton Lima tem sob sua responsabilidade a prospecção de negócios em mais de dez cidades da região de Franca e até algumas mais distantes, como Passos e São Sebastião do Paraíso (MG). Franca movimenta 65% dos negócios, enquanto São Joaquim da Barra e Passos representam juntas 20%.</p>
<p><br />Otimista com as projeções do mercado nacional, nas quais inclui as perspectivas positivas em relação a Franca, Lima afirmou que o setor de turismo não tem sentido muito os impactos da crise internacional e que as expectativas para o restante deste ano são animadoras. </p>
<p><strong>Comércio da Franca - Como foi sua entrada no mundo do turismo?<br />Clayton de Lima -</strong> Comecei aos 18 anos como guia por uma questão de oportunidade. Foi um emprego que arrumei na época da faculdade de informática para complementar minha renda. Mas me identifiquei com o segmento desde o início. </p>
<p><strong>Comércio - E como analisa esse segmento nos dias de hoje?<br />Lima -</strong> Acredito que o turismo tem uma importância muito grande no País. Além do ponto de vista econômico que está em jogo - já que o Brasil é uma das grandes forças do turismo mundial - há também um fator social. Hoje as pessoas viajam mais. Isso é tão importante que tem médico que recomenda viagem para os pacientes com estresse. Por conta disso, procuro em minha função criar e desenvolver produtos que caibam no bolso dos clientes, independente da faixa social. Afinal, todo mundo deve ter a oportunidade de viajar. Quando você viaja abre a sua mente, tem uma captação de conhecimento e uma nova carga de bateria. </p>
<p><strong>Comércio - De quanto foi o investimento na instalação do escritório da CVC em Franca e por que a empresa decidiu se instalar na cidade?<br />Lima -</strong> Incluindo a abertura efetiva da primeira unidade no Franca Shopping, com mobiliário, reforma estrutural, injeção de capital em mídia e contratação de profissionais, foi preciso gastar algo estimado em R$ 700 mil. Antes de iniciar nossas atividades na cidade, os nossos representantes aqui eram apenas as agências de turismo e através delas já tínhamos uma noção do cenário. O número de habitantes, o PIB, a grande demanda pelos nossos serviços, além de outros fatores econômicos, fizeram com que a CVC estudasse a abertura da unidade francana. </p>
<p><strong>Comércio - Acredita que o investimento tenha dado certo?<br />Lima -</strong> Já abrimos o escritório pensando em aumentar a demanda local. Desde a inauguração, tanto no movimento de passageiros que procuravam diretamente nossa loja quanto nos que iam às agências, os números aumentaram satisfatoriamente. Levando-se em conta todo o ano de 2008, é possível registrar um aumento na casa dos 25%. Além disso percebemos que o movimento em nossa nova unidade não atrapalhou a procura pelas agências. Através de nosso sistema registramos que, de todos os nossos clientes, acima dos 50% contratavam nossos serviços pela primeira vez. Portanto, há sim uma conquista de novos clientes. Franca continua em evolução, o poder de compra facilita, é uma constante, o turismo é uma indústria sem chaminé. Estamos há pouco mais de um ano aqui, ainda na fase de implantação. Temos muitos investimentos a fazer, acreditamos muito em Franca. </p>
<p><strong>Comércio - Qual é forma de pagamento preferida pelo francano e qual a faixa etária que mais movimenta o setor de turismo?<br />Lima -</strong> O francano gosta do parcelamento em dez vezes. Quem mais viaja são as pessoas entre 25 e 45 anos. </p>
<p><strong>Comércio - A crise internacional tem influenciado no movimento das agências de turismo?<br />Lima -</strong> Na verdade não somente a CVC, mas acredito que de uma maneira geral não sentimos efetivamente o tamanho dessa crise. Não conseguimos mensurar o resultado que esse cenário vai causar no Brasil e até mesmo em nós que estamos em Franca. É claro que não podemos virar as costas, achar que nada está acontecendo e esquecer que o cenário internacional está limitado. Estamos planejando como nunca, buscando novas oportunidades e ajustando as coisas conforme necessário. Na época em que a crise tomou maiores proporções, não houve impacto tão negativo para nossos negócios, porque já era um período (de setembro e outubro em diante) em que o grande foco de vendas eram os pacotes nacionais. Estávamos num período com maior volume de vendas dos pacotes nacionais, em especial para o Nordeste, com foco no verão deste ano. E a procura por esse tipo de produto somente aumentou, sobretudo por conta de uma migração de clientes que viajariam para o exterior, mas, devido à cotação do dólar desfavorável, preferiram fazer destinos dentro do Brasil. Por outro lado, no fim do ano, sentimos uma queda de aproximadamente 20% na venda de pacotes internacionais. </p>
<p><strong>Comércio - Recentemente vieram à tona histórias de jovens que morreram por intoxicação durante viagens em cruzeiros universitários. Isso atrapalhou as vendas deste tipo de pacote?<br />Lima -</strong> Primeiro é preciso esclarecer que a CVC não trabalha com cruzeiros universitários, nem cogita a ideia. O que fazemos é fretar nossos navios para empresas ou agências que realizam viagens temáticas, o que sempre é avaliado pela diretoria e pelo departamento marítimo. É válido destacar que a mídia se ateve apenas a divulgar os fatos, sem esclarecer todo o processo de fiscalização realizado por autoridades competentes, causando assim uma possível imagem negativa desse segmento. Além disso os casos ocorridos foram isolados e não correspondem nem a 1% dos viajantes que fazem cruzeiros pelo País. Outra coisa importante a esclarecer é que quando você embarca e desembarca tem seus pertences revistados, seguindo a um procedimento internacional de segurança. </p>
<p><strong>Comércio - A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) acaba de aprovar a liberação de preços de passagens aéreas para o exterior, acabando com o preço mínimo, o que poderá baratear os valores. O que o senhor pensa a respeito disso?<br />Lima -</strong> O barateamento das passagens vai ser uma coisa gradativa. Vamos sentir o efeito da medida que eles tomaram depois de agosto. </p>
<p><strong>Comércio - Quais são os destinos preferidos pelo público que contrata os serviços da CVC em Franca? Qual é o perfil do cliente da cidade?<br />Lima -</strong> Atualmente o grande movimento se concentra nos pacotes nacionais e nos cruzeiros marítimos, que representam quase 70% de nossos negócios. O Nordeste é o destino preferido dos francanos. Geralmente os francanos compram pacotes de uma semana, com passagem aérea e parcelamento em dez vezes. Além desses fretamentos também têm força os voos regulares que saem de Ribeirão Preto e outras cidades do interior e os fretados que partem de São Paulo. Os destinos mais procurados são, nessa ordem: Porto Seguro, Natal, Maceió e Fortaleza. Também há muita procura por Porto de Galinhas, Serra Gaúcha, Buenos Aires e Bariloche, para onde sai pela CVC uma média de dez a doze voos por semana durante a temporada de neve. </p>
<p><strong>Comércio - Um dos lançamentos da CVC para este ano é um roteiro específico para a Índia, mais caro que outros pacotes tradicionais. O senhor acredita que esse destino vai atrair o consumidor francano?<br />Lima -</strong> O francano que vai procurar um roteiro exótico como a Índia não é um passageiro de primeira viagem. Geralmente são pessoas que já fizeram tours internacionais mais comuns. Penso que para vender esse tipo de roteiro na cidade é necessário um trabalho focado de nosso departamento de marketing para mexer com a mentalidade local. É preciso saber vender o roteiro. Vamos esperar o resultado das vendas entre março e agosto (auge das vendas de pacotes internacionais) para saber se realmente fará sucesso. </p>
<p><strong>Comércio - Tem como desenvolver o potencial turístico de Franca?<br />Lima -</strong> Acredito que para estimular o turismo em uma cidade é preciso trabalhar com uma proposta que se sustente. É preciso identificar potencialidades, ter infraestrutura e criar parcerias público-privadas. Em conversas com dirigentes ligados ao setor, estamos com projetos para tentar viabilizar que alguns de nossos roteiros já existentes, como Araxá (MG), possam incluir um pernoite em Franca. Talvez esse público se interesse em fazer compras e conhecer a cidade. Já temos meios de hospedagem, agora é preciso trabalhar certos atrativos como Museu do Calçado, Shopping do Calçado e comida típica das fazendas na região, além de engajar a população local e treinar a sua receptividade turística. Precisamos primeiro da adesão por parte dos industriais. Tudo isso precisa ser amarrado senão pode nascer fadado ao fracasso. Sou muito bairrista, estou aqui e defendo a cidade, quero descobrir essas possibilidades e estarei ajudando no que for preciso para esse ou outros projetos se tornarem realidade. </p>
<p><strong>Comércio - A desativação das linhas aéreas regulares em Franca é prejudicial para a CVC? Por quê?<br />Lima -</strong> Talvez não diretamente para a CVC, pois temos aviões maiores em operação, como os airbus da TAM, que atendem a uma demanda local por aviões maiores. Mas, indiretamente, sim. Eu já estava tentando até a abertura de mais uma frequência de fim de semana com uma companhia que operava em Franca para que pudéssemos oferecer aos nossos passageiros o conforto de embarcar na cidade. Apesar do Aeroporto de Ribeirão ser próximo, a preferência é sempre sair “do quintal de casa”. Estávamos em negociação com a companhia, porém, infelizmente, não concretizamos o acordo. Acho uma pena uma cidade do porte de Franca não ter um aeroporto em operação mais forte. Mesmo tão próximo a Ribeirão, se o aeroporto comportasse com certeza eu estaria brigando para que tivéssemos operação de voos saindo, por exemplo, daqui para o Nordeste.</p>
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