Cipó e Inhotim se contradizem e se completam


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Pinga da boa - A comerciante Maria Cristina Belisário mostra litro de cachaça produzido em seu alambique, que tem quase 200 anos
Pinga da boa - A comerciante Maria Cristina Belisário mostra litro de cachaça produzido em seu alambique, que tem quase 200 anos
Falar o que mais pode atrair o visitante quando passa pela capital mineira e seus arredores é um exercício que não se encerra, tamanha a quantidade de opções para todos os bolsos e gostos. Entretanto, saindo dos limites de BH, duas atrações imperdíveis aguardam o turista em um raio máximo de cem quilômetros. A Serra do Cipó e o Inhotim (leia mais na próxima página) são a expressão máxima de como a natureza e a intervenção humana, através da arte, podem surpreender a cada instante. Transição entre mata atlântica e cerrado, o Parque Nacional da Serra do Cipó tem 33 mil hectares de área e uma intrínseca história ligada ao desenvolvimento do Estado de Minas Gerais. Por suas trilhas, escravos fugiram e diamantes e ouro foram traficados no auge de exploração portuguesa, no século 18. A reportagem seguiu até o município de Lagoa Santa, ainda na região metropolitana de Belo Horizonte. De lá, mais 60 quilômetros até Santana do Riacho, passando pelo distrito de Cipó, com 1,8 mil moradores, principal entrada para o parque. Em Lagoa Santa encontramos Maria Cristina Belisário, 69, uma pequena comerciante que guarda em sua propriedade uma pequena joia. Com quase 200 anos, o alambique feito em carvalho com a madeira encaixada, sem um único prego, ainda funciona e produz uma pinga artesanal que ela só vende para turistas. De tão simples, o lugar é apaixonante. As grandes estruturas de madeira e o moinho ainda funcionam perfeitamente. Maria Cristina só produzirá novo lote de aguardente depois que os 7 mil litros feitos em 2005 acabarem por completo. Seguindo para a Serra do Cipó, o turista encontra uma região para ecoturismo em seu estado mais puro. Caminhadas, rafting, canoagem e escaladas, no entanto, só são realizadas com o acompanhamento de um guia. Não existem áreas de camping e pelas regras do parque elas não são permitidas. Segundo o guia que acompanhou o grupo de jornalistas, a travessia por rotas dentro do parque podem levar até cinco dias, em distâncias que variam de 30 a 80 quilômetros, boa parte delas já usadas por escravos e tropeiros dois séculos antes. A rigidez da administração do parque não prevê a existência de moradias. O mesmo vale para pousadas, tanto que as existentes estão à margem de seus limites. Para chegar até elas, estradas seculares, o que quer dizer sem asfalto, estreitas e sinuosas. Nada que tire o encanto do lugar. [FOTO2] Que o diga o guia Luiz Flávio Cirino Teixeira, 27. Alpinista profissional, ex-dono de restaurante em Belo Horizonte, profissional de escalada para empresas como Petrobrás e Cirque Du Soleil, ele escolheu o distrito do Cipó para morar com a mulher a filha. “Daqui eu não saio. Tenho tudo aqui e a internet e o telefone resolvem o resto. Construí minha casa em barro, trouxe minha família e todo o tempo que me sobra entre um trabalho e outro, ocupo com o parque, guiando turistas, escalando, caminhando”, disse ele.

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