Inclusão digital


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Acompanhar as mudanças tecnológicas que ocorrem diariamente no mundo é um exercício de paciência, deslumbramento e apreensão. Paciência porque muitas dessas mudanças são rápidas, passam “voando” por nós e novamente mudam. Deslumbramento porque são maravilhosas e nos levam à sofisticação, à comodidade e à praticidade. Apreensão porque elas delimitam um novo patamar de diferenças intelectuais, culturais e sociais. O mundo, principalmente sua parte em desenvolvimento, está repleto de experiências, bem e malsucedidas, de políticas públicas para a inclusão digital. Infelizmente, como tantas outras políticas públicas, essa também é merecedora de descaso por parte das autoridades responsáveis. Fala-se muito em democratização do acesso e de inclusão digital sem, realmente, definir critérios e avaliar se tal inclusão promove os resultados desejados. Pesquisando a expressão “inclusão digital”, encontrei que a mesma nasceu do termo “digital divide” que, em inglês, significa algo como divisão, separação digital. Sob uma interpretação sociológica podemos perfeitamente entender que para acabarmos com a “divisão digital” (que tem aqui o sentido da “exclusão social”) precisamos aprender que incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores. Aí, entra o papel fundamental dos Poderes Públicos, em todos os níveis da federação. Em um primeiro momento, cabe aos governos federal e estaduais um maior aporte de recursos financeiros para viabilizar a estrutura material e, nesse sentido, o senador Mercadante apresentou e aprovou projeto determinando que parte dos recursos do FUST (Fundo da Universalização dos Serviços de Telecomunicações) seja usada para prover as escolas públicas de banda larga. Serão 170 mil escolas, 2 milhões e meio de professores e mais de 49 milhões de alunos beneficiados. Mas, no momento seguinte para a efetivação de uma política real de inclusão digital (e social), a ação do governo municipal é vital. Apenas colocar um computador com acesso à Internet à frente de uma criança ou jovem não é definitivamente incluir. É preciso ensiná-lo a utilizar em proveito próprio e comunitário. Somente a Prefeitura e a sociedade local têm condições de elencar as necessidades de desenvolvimento econômico e social e, assim, romper o círculo vicioso da pobreza gerando pobreza pela exclusão das oportunidades. Como exemplo dessa necessidade, conversei com um amigo, empresário no ramo de confecção, que disse precisar trocar suas máquinas desatualizadas por máquinas modernas digitais, mas que é impossível fazer isso porque não há costureiras qualificadas no manuseio de tal tecnologia. Assim, mais do que recapear ruas, precisamos sedimentar vias que levem ao conhecimento, ao domínio do saber tecnológico e que levem à transformação das perspectivas de vida das pessoas. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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