Catadora está com a casa destelhada há dois meses


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<b>SEM TETO</b> - Luzia Honório da Silva é vista de cima de sua casa, onde só estão restos de tijolos que sustentavam o telhado, levado por temporal em fevereiro
<b>SEM TETO</b> - Luzia Honório da Silva é vista de cima de sua casa, onde só estão restos de tijolos que sustentavam o telhado, levado por temporal em fevereiro
A catadora de sucatas Luzia Honório da Silva, 63, ainda fica arrepiada e chora quando se lembra da tempestade do dia 22 de fevereiro deste ano, feriado de Carnaval. Nesta data, a chuva e o vento forte destruíram todo o telhado de sua casa, no Jardim Paineiras. Era por volta das 16 horas quando ela e o neto de 4 anos ouviram barulhos durante o temporal. Depois que a chuva passou, saíram da casa e só então Luzia descobriu o tamanho dos estragos. “Tinha telhas (tipo eternit) para todos os lados. Elas voaram tudo, até na rua. Meu neto gritava muito de medo”. Ela pede ajuda para reconstruir seu lar. A casa dela está em situação precária. Há quase dois meses do incidente, continua descoberta, apenas com a laje. Quando chove, fica cheia de goteiras. A infiltração já estragou as paredes, que estão todas emboloradas. Os cômodos estão com cheiro forte de mofo. Para evitar que a água pesasse sobre o teto e ele desabasse, os moradores fizeram furos no cimento para a água escoar. Luzia morava no imóvel com o filho, a nora e o neto. Os três permaneceram no quarto dela, único local da residência onde não há goteiras. Mas o cômodo está cheio de bolor nas paredes. Todos estão com tosse devido ao cheiro. A catadora de sucatas está morando numa casa ao lado da sua, emprestada por um vizinho. Mas o local, com quatro cômodos, não tem energia elétrica nem água. Ela depende de um lampião para iluminar os ambientes. As paredes também estão mofadas. “Fico aqui no escuro. O dono já pediu essa casa. Ele já pediu para eu desocupar, mas não tenho como pagar aluguel. Estou desesperada”, disse ela. Luzia é viúva. Vive com cerca de R$ 500 da pensão do marido e dos materiais recicláveis que recolhe nas ruas e vende. O filho é sapateiro, mas estava desempregado até o início desta semana. A nora não trabalha. Ela e o filho consultaram uma empresa para saber quanto de material precisam para reconstruir o telhado. Serão usadas 1.550 telhas (de barro, que ficariam em média R$ 700 no preço à vista), além da madeira, pregos e parafusos. O imóvel tem cinco cômodos. A catadora de sucatas disse que pediu ajuda para a Prefeitura, mas ainda não conseguiu (leia mais nesta página). Sem apoio do poder público, resolveu recorrer à comunidade. “Queria que as pessoas me ajudassem a arrumar pelo menos os materiais para construir outro telhado. Pensei em fazer uma campanha para conseguir a mão-de-obra ou pedir para alguns amigos nossos ajudarem”. Quem quiser colaborar com a família de Luzia pode entregar os materiais na casa dela, na Rua Hygino Luccas Silva, 4531, no Jardim Paineiras.

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