O telescópio do observatório de Franca é uma raridade. E é claro que ter um modelo japonês "superhipermegablastermoderno" importado dos Estados Unidos tem seu preço: a manutenção que é cara e escassa. Apenas uma empresa no Brasil é capaz de fazer o serviço. Com isso desde março ninguém mais pode utilizá-lo.
Naquela época, o telescópio parou de funcionar e o técnico foi chamado, mas... Até agora nada. A gestora do Espaço Científico e Pedagógico, Carmem Silvia Peliciari Salgado, garante que o equipamento deve ser consertado ainda este mês. "Já está agendado", disse.
A Prefeitura ainda não sabe qual é o defeito e o quanto deve ser gasto para consertar o equipamento. Carmem, no entanto, adiantou que não deve ficar barato. "Só a visita do técnico custará R$ 1,5 mil. Imagine o valor das peças e da mão-de-obra", contou a gestora. O professor de ciências e gestor do observatório José Antônio Barbosa arrisca um palpite sobre o problema. "Acreditamos que a umidade tenha danificado a placa do aparelho, mas temos que esperar", disse.
Enquanto isso, a observação é feita com um telescópio reserva, mais modesto - um terço do tamanho do "titular". Mas de acordo com Barbosa, a mudança não afeta muito a rotina do Observatório nem a capacidade de observação. "A diferença entre os dois é a capacidade de foco, mas para nosso público de estudantes curiosos já é excelente", afirmou. Assim, a observação passou a ser feita ao ar livre.
"Levamos o telescópio para o gramado. Ele funciona bem", explicou Barbosa. O Observatório foi montado em 2005 a partir de uma parceria da Prefeitura de Franca com a ONG (Organização Não-Governamental) Vitae. A primeira entrou com a construção do prédio no complexo do Colégio Champagnat e a outra foi responsável pela compra dos equipamentos que na época foram avaliados em US$ 250 mil.
O observatório municipal não é o primeiro a funcionar em Franca. Até cerca de 15 anos atrás, Thomaz Novelino, fundador do Educandário Pestalozzi, mantinha um na fazenda da família, próximo ao Clube de Campo. Em 1995, a fazenda teve que ser vendida. Novelino ainda tentou manter pelo menos o observatório, mas os compradores não aceitaram negociar e o local foi desativado.
Em 2000, Novelino morreu aos 99 anos em decorrência da idade avançada. Hoje o observatório municipal leva seu nome, uma homenagem de Gilmar Dominici (PT), prefeito de Franca em 2004, quando o prédio foi inaugurado.
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