Os parasitas e o hospedeiro


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Dizem os pesquisadores que os parasitas são seres vivos que retiram de outros organismos os recursos necessários à sua sobrevivência. São considerados agressores, pois prejudicam o organismo hospedeiro através do parasitismo. O País em que vivemos padece de um parasitismo histórico por parte daqueles que ocupam o poder. Inicialmente estivemos nas mãos de uma Metrópole a qual, através de seus líderes, pilhava nossas riquezas naturais e mandava tudo para Portugal que por sua vez entregava aos ingleses em troca de uma “proteção” medíocre. Adiante, estivemos nas mãos de alguns coronéis, barões, oligarcas ou mesmo reis do café e do gado. Com a implantação da República os parasitas mudaram de nome. Passaram de coronéis e oligarcas a prefeitos, governadores, deputados e senadores. Tivemos uma Ditadura Civil, outra Militar. E só. Alguns levantes populares incitados pela mídia, uma República dos Estudantes (bons tempos aqueles em que os jovens tinham anseios), “Diretas Já”, o retorno da Democracia, mas nada disso pode afastar o parasitismo instalado no Poder. Não há cura, na medida em que não se percebe a doença. A população que sustenta e dá vida ao hospedeiro não chega a questionar se realmente há algo errado com a “saúde” do Estado Brasileiro. O Brasil perdeu o “bonde da história”. No momento de certa calmaria no mundo, onde poderia ter investido em Educação, Infraestrutura, Saúde, Tecnologia, seus líderes estavam preocupados com Emenda da Reeleição, Mensaleiros, Anões, etc. Não se faz política pensando no solo brasileiro, na identidade nacional. A proposta, ao assumir o mandato, é a de ser lobista de financiadores de campanha ou de grupos estrangeiros interessados na gestão de nossas riquezas. Será que a Bíblia tem razão quando avisa que a destruição vem do Norte? No caso brasileiro pode ser que sim. Nesse exato momento os gestores brasileiros estão confortavelmente assentados na poltrona da desculpa. A culpa é da crise financeira mundial. Se não fosse a crise o Brasil iria crescer, desenvolver-se. Não conseguem, não querem enxergar que a maior crise que o povo brasileiro sofre é a crise de nervos provocada pelos absurdos que se cometem no sagrado exercício do mandato. Nossa maior e mais perigosa crise é a crise moral, ética. O mandato é passe livre para a prática de todos os tipos de crimes. Do roubo à extorsão. E o que é pior, para esses crimes não há culpado e nem punição. Roubam o que é de todos e enviam a paraísos fiscais para auferirem lucros exorbitantes sobre algo que não trabalharam para ganhar. O lema de todos eles é “o que é público não é de ninguém”. Pessoas morrem de fome, de desespero, nos corredores dos hospitais sem nenhum atendimento e o Brasil vai emprestar alguns bilhões de dólares ao FMI. É chique emprestar ao FMI, disse o presidente. Chiquérrimo foi pagar aqueles juros extorsivos durante anos ao Fundo. Foi elegantérrimo deixar crianças brasileiras sem escola, sem pão, seus pais sem emprego, para não cair em mora e ser mal visto pelos investidores estrangeiros. Tudo pelo Mercado. Tudo pelo Capital. Mas não era o contrário o que estava escrito na Cartilha de Marx e que foi tão estudada pela turma que ocupa o Poder? Enquanto isso, no Senado e no Congresso, nos palácios e nas prefeituras, nas autarquias e nas empresas públicas, o que é de todos vai sendo minado pelos parasitas que se dizem nossos representantes. Volta e meia aparecem eles todos cheios de razão e de explicação para as falcatruas, para a malversação do dinheiro público, pelas passagens aéreas, pelo telefone celular utilizado por filha de senador no México, com conta paga pelo Senado, digo, por nós... Nadir A. C. Bernardino Advogada, formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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