Eu tenho um irmão que também é hipocondríaco. O danado, certa vez, me fez levantar às 2 da madrugada para levá-lo ao hospital, pois o dedão do pé direito dele havia "entortado" e doía muito. Praguejei. Eu tinha que ir ao trabalho às 6 horas e perderia parte de meu descanso, mas não poderia deixar de socorrê-lo, apesar de saber de sua doença. No hospital, foi atendido por um médico que já o conhecia. Após examiná-lo, mandou que tomasse um comprimido a cada quatro horas. Ao sairmos, o médico me chamou de lado e disse: "Seu irmão não tem nada. Esses comprimidos que dei a ele são inócuos, pois os tenho sempre para casos como o dele". Isso me deixou com mais raiva ainda. Ao retornarmos para casa após duas horas perdidas, fui taxativo com ele. Se me acordasse novamente para socorrê-lo, eu lhe daria motivos para ter dor, pois lhe daria umas bordoadas. Ele continua hoje com uma saúde de ferro, gordo igual a uma baleia, fumante inveterado mas sempre se queixa de doenças. O que mudou foi que nunca mais me pediu para levá-lo a um hospital. (O leitor se manifesta sobre coluna de Edward de Souza, publicada em http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=42207&materia= Apaixonados%20por%20doenças)
Admir Francisco Morgado
Praia Grande - SP
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