O comerciante aposentado Aparecido Marangoni, 67, foi condenado a nove anos e quatro meses de reclusão pelo crime de atentado violento ao pudor. Marangoni é acusado de abusar sexualmente de crianças e adolescentes com idades entre 8 e 16 anos em Cristais Paulista. Cinco vítimas confirmaram os atos à Justiça durante o processo. A sentença foi assinada pelo juiz auxiliar da 3ª Vara Criminal de Franca, Paulo Sérgio Jorge Filho. Os advogados de defesa do aposentado podem recorrer da decisão.
Morador em Franca, Marangoni foi preso dia 15 de novembro de 2008 em um bar que costumava frequentar em Cristais. De acordo com a acusação, o aposentado ofereceria dinheiro e comida para atrair os meninos - todos carentes. "Ele chegava nas crianças, pagava refrigerante, salgados. Depois, chamava em um canto e oferecia dinheiro para fazer sexo, basicamente oral", disse, no dia da prisão, o delegado George Theodoro Ary, responsável pela investigação. Pai de três filhos, o aposentado ofereceria entre R$ 2 e R$ 50 para que as crianças entrassem em seu carro e praticassem sexo oral com ele.
Com base nos depoimentos e provas apuradas, a Justiça decretou a prisão preventiva de Marangoni, que aguardou o julgamento preso na cadeia de Pedregulho. Na tarde de ontem, o promotor do caso, Joaquim Rodrigues Rezende Neto, recebeu a confirmação de sua condenação. "O juiz, inclusive, vetou o recurso em liberdade. Vai ter que aguardar preso. A Justiça entendeu que o retorno dele ao convívio social representaria risco, pois ele possui uma personalidade voltada para a prática de crimes sexuais", disse Joaquim.
Segundo a Promotoria, para não ser descoberto, Marangoni ameaçava suas vítimas. Joaquim Rodrigues não soube precisar o número de crianças que se relacionaram com o acusado. Mães de cinco crianças foram à delegacia e confirmaram os abusos. "Acredito que o número seja maior, pois sabemos que várias outras pessoas não tiveram coragem de testemunhar por medo ou vergonha. Houve muita pressão sobre as vítimas e a coleta das provas foi difícil. No dia da audiência, as vítimas estavam bastante amedrontadas de se encontrarem com o réu nos corredores do Fórum", afirmou o promotor.
Para Joaquim, não há dúvidas sobre a culpa do aposentado. "A condenação ficou à altura da gravidade dos atos criminosos que ele praticou. O fato de o juiz negar o recurso em liberdade demonstra que a Justiça não teve dúvida alguma de que os fatos aconteceram, ou seja, que ele abusava de crianças carentes".
<b>NEGATIVA</b>
No dia em que foi preso, o aposentado negou as acusações de abusos e disse que estaria sendo vítima de calúnias por fazer o bem aos outros. "Parece que eles (os menores) sabem que eu tenho um coração bom, que eu gosto de crianças e eu pago guaraná, coca-cola, pastéis, essas coisas. Eu sempre pago, sempre paguei. Eu gosto de ajudar crianças", disse Marangoni.
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