Os agricultores estão preocupados com o futuro de seus negócios e querem a ajuda do governo para superar os desafios da agricultura ou da pecuária. A Faesp (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo) encaminhou para o governo federal, no mês passado, o Plano Agrícola e Pecuário 2009/10. No documento de dez páginas, sugere dezenas de medidas que podem ajudar os agricultores em dificuldades e ainda melhorar o rendimento de quem depende do campo. Entre as sugestões, estão: facilitar o acesso ao crédito rural, elevação dos estoques públicos e o aumento da abrangência do seguro rural, entre outras medidas.
Para o presidente da Faesp, Fábio de Salles Meirelles, autor do programa, se implantado, o plano poderá ser adotado não apenas em São Paulo, mas também em outros Estados. “O Brasil não tem nenhum plano voltado para a agricultura. Esse documento que elaboramos dá uma linha de ação e uma direção para o governo ajudar o produtor”.
Entre os itens apontados no estudo está um que interessa diretamente aos cafeicultores que atualmente encontram dificuldades para quitar as dívidas acumuladas durante anos para custeio da lavoura. A Faesp sugere que o pagamento da dívida financeira dos produtores, que hoje deve ser em dinheiro, seja feito em sacas de café. O Plano Agrícola prevê ainda que o preço da saca atinja R$ 325, sendo que atualmente não passa de R$ 240.
O presidente do Sindicato Rural de Itirapuã, Expedito de Melo, aprovou a proposta da Faesp. “Se o cafeicultor conseguir abater a dívida com sacas, ajudará muito porque os produtores estão sem dinheiro. Gostei muito da parte que fala sobre o seguro rural. Ultimamente estão acontecendo muitos roubos na zona rural e não temos nenhuma garantia”.
O plano também dá uma atenção especial para a pecuária de corte. Pede o aumento da disponibilidade e da aplicação efetiva de recursos para a área de defesa sanitária animal. Prevê também o desenvolvimento de programas de prevenção e controle de doenças.
O estudo também apresenta projetos voltados para borracha, citricultura, culturas de inverno, como trigo e aveia, mandioca, pecuária de leite e biocombustíveis. Com o plano, os agricultores também serão beneficiados na hora de solicitarem crédito rural.
Na opinião do presidente da Faesp, a liberação de crédito deveria ser desburocratizada e ainda com taxas de juro menor. “A proposta é criar mecanismos de crédito rotativo e automático para os produtores”, disse Meirelles, que ontem se reuniu com o prefeito de Franca, Sidnei Rocha, para falar de agricultura e Expoagro.
O governo federal não tem prazo para responder às reivindicações.
<b>Ouça abaixo a entrevista de Edson Arantes com o prefeito de Franca, Sidnei Rocha e o presidente da Faesp, Fábio Meirelles:</b>
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