O francano que está acostumado a fumar enquanto conversa com os amigos nos bares da cidade terá de mudar seus hábitos. Em até 90 dias entrará em vigor a lei estadual que banirá os fumantes de todos os espaços de uso coletivo. Na prática será permitido fumar apenas dentro de casa ou na rua.
Em Franca a restrição será ainda mais sentida que em outros municípios. A lei não restringe o cigarro numa mesa de bar em uma calçada, por exemplo. Mas como na cidade é proibido aos bares e restaurantes utilizarem as calçadas, os fumantes terão de ir até a rua, fumar em pé e, depois, voltar para o recinto. “Antes, quando eu podia usar a calçada, meus clientes fumavam lá fora. Agora nem isso eles poderão fazer”, disse Osmar Angonese, proprietário do Moinhos Bar.
A lei é clara. Ela não punirá o fumante, mas obrigará os donos dos estabelecimentos a chamarem a atenção dos clientes caso acendam o cigarro no ambiente fechado. Se a pessoa persistir, poderá ser retirada do local - como um criminoso - por força policial. “Imagine eu chamar a polícia para meu cliente? Essa lei tem de ser adaptada. Como está não dá”, disse João Ricardo de Camargo, do Tábua Mista.
Luciano de Carvalho, do Boteco do Lu, tem opinião idêntica. Para ele quem faz a lei é quem deve cuidar da fiscalização. “Vai criar um constrangimento muito grande tanto da minha parte como para o cliente eu precisar acionar a polícia para autuá-lo. Espero não passar por uma situação dessas. Fazem leis e eu tenho que fiscalizar?”, questionou Luciano.
<b>Ouça abaixo a repórter Renata Modesto:</b>
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<b>MOTIVAÇÃO</b>
O deputado Gilson de Souza (DEM) foi um dos 69 parlamentares da Assembleia Legislativa que votaram favoráveis à lei na sessão de terça-feira passada. O democrata disse que não fuma e que votou pela “qualidade de vida das pessoas”. “Está comprovado que o cigarro provoca uma série de doenças”. Em sua opinião, os estabelecimentos poderiam manter as áreas específicas para fumantes, mas a emenda apresentada para tal não foi aprovada.
O pneumologista Ciro de Castro Botto considera a lei polêmica, já que limita a liberdade individual da pessoa fumar, mas interessante do ponto de vista da prevenção à saúde. “Ela gera controvérsia intensa, mas analisando pelo lado científico - e médico - há de se considerar algumas coisas. (...) O cigarro é a principal causa de doença evitável no mundo”, disse.
De acordo com Botto, 90% dos pacientes com câncer de pulmão são fumantes; 3% são fumantes passivos e apenas 7% dos casos não estão relacionados ao fumo. “A lei acaba protegendo o indivíduo que não fuma”, disse Botto.
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