A rede pública de saúde de Franca realizou, no primeiro trimestre deste ano, 75 mil atendimentos a mais que no mesmo período do ano passado. Ao todo, foram 360 mil consultas entre janeiro e março, ante as 285 mil registradas em 2008. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que o número é recorde. “Nunca atendemos tanta gente como agora”, disse o secretário da pasta, Alexandre Ferreira.
O principal responsável pelo aumento nos números, segundo Ferreira, é o desemprego. Dados do Caged (Cadastro de Empregados e Desempregados) apontam que, só em dezembro, 11 mil pessoas perderam suas vagas de trabalho na cidade. “Quando começaram a falar em crise, em dispensar gente, começamos a traduzir isso em perdas de convênio. (...) Certamente iria respingar na rede pública”, disse Alexandre, que acrescentou. “Transferimos médicos para dar suporte em alguns setores como o pronto-socorro e especialidades como oftalmologia e ortopedia”.
A medida não resolveu todos os problemas. Em fevereiro, a espera por uma consulta com clínico-geral nas Unidades Básicas de Saúde pulou, em média, de três para 15 dias.
Alexandre Ferreira garantiu que a Prefeitura tem estrutura física e de pessoal para absorver a demanda. Mas não descarta a possibilidade de realizar atendimentos em dois turnos nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). “Quando chegar a um ponto em que a demanda reprimida começar a crescer, não vai adiantar contratar médicos porque não temos salas. (...). Vamos ter que fazer outro turno. Modificar horários, trabalhar no sábado, atender até a noite”, disse o secretário.
<b>AS FILAS</b>
Apesar de Ferreira dizer que a Prefeitura está estruturada, com um número maior de pessoas utilizando a rede pública, fica evidente a dificuldade em ser atendido, principalmente com médicos especialistas e dentistas.
Tanto que, há 15 dias, a reportagem do Comércio flagrou pacientes dormindo na porta da UBS do Parque do Horto em busca de tratamento odontológico. Na fila havia uma paciente que, pela primeira vez, recorria ao serviço público. Estava frustradas. “Nunca precisei passar por isso. Mas meu marido reduziu o turno de trabalho e perdemos o convênio médico”, disse a mulher.
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