A Bastilha e o Congresso


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Semelhanças. Semelhantes. Fortaleza situada em Paris, capital da França, começou a ser construída em 1370, sendo concluída em 1382. No século XV foi transformada pela monarquia absolutista francesa em prisão de Estado. Eram depositados em seus porões todos quantos discordassem ou ameaçassem o poder ilimitado dos reis de França. É um ícone, um símbolo da opressão perpetrada pela Monarquia ao povo e aos intelectuais franceses. Quando a multidão fermentada por Marat, Danton e Robespierre resolveu dar um basta a opressão, à fome, às doenças, ao frio e a todo o tipo de miséria a que uma sociedade fica exposta graças a um regime autoritário, e onde só existem privilégios, o primeiro prédio a ruir foi o da Bastilha, em 14 de julho de 1789. Temos aqui, nos trópicos, algo semelhante. Tudo começou na Terra de Vera Cruz, onde habitava gente perdida no entender de Pero Vaz de Caminha que certa vez disse: “E o melhor fruto que dela se poderá tirar será salvar essa gente”, depois foi denominada Terra de Santa Cruz, mais adiante Brasil e agora “O País das maravilhas”. Ao contrário do que ocorreu na França, os opressores daqui transitam livremente pelos corredores do Congresso e do Senado Brasileiro. Temos notícia de que existe pelo menos um castelo por aqui, todavia, ainda não se presta a ser sede oficial de Governo. Estes habitam palacetes que em nada deixam a desejar aos Castelos Medievais, mas por enquanto, é só. A Bastilha brasileira é vasta e ampla. Os “perseguidos políticos” guardam a sensação de que são livres e assistidos em suas necessidades. Têm plena, ampla e irrestrita liberdade para transitar em favelas, expostos a tiros e perseguição de traficantes, têm seu direito de ir e vir garantido pelo transporte público inexistente ou precário. Milhares de pessoas no País perdem horas do seu dia, confortavelmente sentados dentro de seus carros de luxo presos no trânsito e correm o risco de serem mortos por assaltantes. A grande maioria que depende de atendimento em hospitais públicos morre livremente nos corredores sem qualquer atendimento. Nossas fronteiras são plenamente guardadas pelas Forças Armadas que dispõem de verba compatível à sua extensão de vigilância. Temos liberdade também para sermos massificados por uma mídia que se presta a atender apenas interesses econômicos. Os reis da França praticavam a opressão abertamente porque se sentiam legitimados pela linhagem que possuíam. O contrário ocorre no caso do político brasileiro, cuja linhagem, ao que parece, procede dos condenados da justiça de Portugal, cuja pena de degredo era cumprida no Brasil. Dessa herança genética surgiram os coronéis, os oligarcas, os “opressores brancos”, que são os donos do poder e nunca podem dizer que o Brasil “amanheceu de ressaca”. A farra com o dinheiro público, a embriaguez, a volúpia, o prazer de manipular os orçamentos, as verbas das empresas públicas, não provocam mal-estar. Ao contrário, fortalece o desejo de perpetuação nos cargos que ocupam. Em artigo publicado pela Revista Veja, Edição 2.107, Roberto Pompeu de Toledo, denomina o Presidente do Senado, Senador José Sarney, de “O Oligarca Perfeito”. Abrilhanta seu artigo com uma frase de Tomasi de Lampedusa: “Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”. E foi o que ocorreu desde as “Diretas Já”, até agora. As mudanças ocorreram para garantir que tudo continuasse como estava. É claro que os regimes mudam, contudo as mortes, as perseguições, e o que é pior, a implementação de um “Estado Paralelo do Crime”, implica na prática de mais atrocidades que qualquer regime absolutista que existe ou existiu tenha praticado. Nadir Ap. Cabral Bernardino Advogada, formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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