Com a celebração de hoje, entramos na Semana Santa. O que é a Semana Santa? Por que ela é tão importante no calendário litúrgico?
Especialmente nestes dias é relembrada a história da salvação de um Deus que se abaixou e tornou-se homem para caminhar conosco, conhecer a nossa história e nos apontar caminhos da vida. Mas não é só isso. No Getsêmani, Jesus experimenta uma grande tristeza e sente a dor da angústia. Suspenso entre o céu e a terra, numa cruz, Ele vive o doloroso abandono por parte do Pai.
Enfrenta a traição de Judas que com um beijo o entrega aos seus inimigos. Pedro, o líder do grupo, não o reconhece na presença de uma empregada. Os discípulos, seus amigos prediletos, fogem e o deixam só nas mãos dos soldados. A condenação é forjada e tramada para eliminar sua pessoa e os desígnios de Deus nele manifestos. Jesus, o Servo Sofredor, despido de toda dignidade é reduzido a um farrapo humano.
Essa experiência de Jesus na Semana Santa é a história viva da humanidade.
Unidos com toda a Igreja no Brasil, concluímos hoje a Campanha da Fraternidade 2009.
Qual o sentido da Palavra de Deus que é proclamada no Domingo de Ramos?
A leitura do profeta Isaías fala do Servo do Senhor ou Servo Sofredor: Quem é Ele? Ele é o escolhido, dotado de dons, capaz de atrair e provocar a adesão dos ouvintes.
Esses dons lhe são concedidos em vista da missão: "transmitir uma mensagem a quem perdeu toda a confiança".
A leitura mostra as disposições interiores do Servo do Senhor: vive na permanente escuta da Palavra de Deus; o coração e os ouvidos estão abertos para não deixar escapar nada do que o Senhor lhe revela.
A missão implica, porém, muitos sofrimentos. Sua pregação denuncia injustiças, atinge aqueles que exploram e escravizam, aponta a corrupção política e moral...
Tudo isso lhe acarreta perseguição. Ele é flagelado e espezinhado. Qual a sua reação? Resiste firme, não abre a boca, não reclama, mas confia no Senhor, porque sabe que ele está ao seu lado.
Tudo isso faz lembrar Jesus e os soldados romanos. Aos dois aconteceram as mesmas coisas. Jesus é o Servo que dedicou sua vida para libertar e consolar os oprimidos.
Na história do Servo Sofredor e de Jesus, é fácil reconhecer a história de todos os homens e mulheres que querem praticar e proclamar a justiça.
A comunidade dos filipenses, amada e muito querida por Paulo, encontra-se em situações de ciumeiras, desavenças, fofocas e disputas de poder. Paulo reage com palavra forte: "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos”. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses e sim os dos outros". Ele recorre a um hino muito antigo para fundamentar a sua intervenção.
O Evangelho da Paixão nos conduz à contemplação. O sofrimento intenso de Jesus nos faz ver o quanto o projeto de amor e paz que Ele trouxe entra em choque com o contexto mundano. Como gera tensões e resistências.
Vivendo os valores evangélicos, somos chamados a instaurar este projeto sendo portadores da paz positiva, caracterizada pela presença do amor que gera justiça e da justiça que gera a paz e segurança.
A Celebração do Domingo de Ramos nos coloca em um ambiente de contraste entre a exaltação da chegada de Jesus a Jerusalém e sua paixão e morte. Sacudidos pelo contexto divergente destes dois pólos, pedimos ao Pai "concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória.
Participe da Semana Santa na Catedral.
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