‘Quarentões’ buscam seu lugar no mercado


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Desde outubro do ano passado, Euripa Aparecida Oliveira Riatto, 44, atua como auxiliar geral em uma empresa de consultoria. Com uma jornada de 8 horas por dia, ela acha muito agradável o clima organizacional, inclusive a relação com os colegas mais novos. Para conquistar a vaga, Euripa teve que se adaptar. “Tive que voltar para a escola aos 40 anos. Completei o segundo grau e fiz um treinamento rápido de informática. Tive um pouco de dificuldade, mas fui à luta”, conta. Após aumentar seu grau de empregabilidade, entregou o currículo pessoalmente. Em menos de um mês já estava trabalhando. “A minha dica para quem pretende procurar trabalho é terminar os estudos, fazer cursos e ir em frente”. Euripa pode ser enquadrada na chamada Geração X, que está bem cotada no mercado, apesar do número tímido de vagas. Com mais de 40 anos, esses profissionais, ao mesmo tempo que são apontados como menos familiarizados com as novas tecnologias, possuem algumas vantagens com relação aos mais novos. Sua experiência de vida, estabilidade emocional e maturidade diante dos problemas são características procuradas em épocas marcadas por incertezas da atual “Geração Y” - jovens nascidos a partir de 1980 que agora chegam ao mercado de trabalho. De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE em 2006, a participação de trabalhadores com mais de 45 anos no mercado havia aumentado 1,1 % com relação a 2005. Em Franca, o interesse em trabalhar por parte das pessoas com mais de 40 anos é expressivo. Dos 300 currículos que chegam por dia à Mega Agência de Emprego, cerca de 60 são dessa faixa etária. Entretanto, a recolocação ainda é muito pequena. A cada 20 profissionais encaminhados pela Mega, cerca de 2 estão nesse perfil. As poucas oportunidades que aparecem são cargos de chefia, liderança e supervisão, ideais para os mais experientes, segundo Leandro Carlone, gestor de recursos humanos da Mega Agência. “As empresas pedem um profissional que tenha espírito de equipe, que consiga liderar o pessoal mais jovem. Em recente seleção, uma empresa me solicitou uma pessoa com pulso firme para fazer isso. Características como essa encontramos mais em profissionais mais velhos”, afirma. Ele complementa que os integrantes dessa geração devem se diferenciar pelas habilidades que acumularam ao longo dos anos. Isso diz respeito a qualidades técnicas, mas em especial à capacidade de estabelecer relações interpessoais dentro da empresa. Pela Poli Consultoria, no ano passado 28 pessoas com esse perfil ocuparam novas vagas principalmente no setor de produção, o que representa 15% do total de pessoas que a agência encaminhou no período. <a target="_blank" href="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/04/baby-boomers.jpg"><img src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/04/baby-boomers.jpg?w=300" alt="arte/comércio da franca" title="arte/comércio da franca" width="300" height="140" class="alignnone size-medium wp-image-2445" /></a> <em>*Clique na imagem para ampliar.</em> <b>ESPAÇO PARA TODOS</b> Consultora da Cohros de Ribeirão Preto e professora do MBA de Gestão de Pessoas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Denise Lustri analisa que atualmente não é possível dizer que haja uma procura específica por uma geração ou outra. Ela comenta que é necessário encontrar um ponto de equilíbrio entre a maturidade e o arrojo. “Há espaço para todos. Grandes empresas familiares que tentam se profissionalizar buscam uma pessoa mais madura, enquanto que uma empresa consolidada e que busca inovação, dependendo da posição dela, prefere um profissional em início de carreira. O mercado está muito pulverizado”, conclui, analisando que o preconceito com as pessoas mais velhas está diminuindo no mundo corporativo, principalmente com relação à ideia de que a Geração X tem limitações tecnológicas.

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