A Polícia Civil levantou provas que apontam o desempregado Márcio José Dutra, 32, como o autor do homicídio de seu próprio pai na madrugada do último sábado na Vila Raycos. Depoimentos colhidos levaram os investigadores a descobrir que o rapaz matou o pedreiro Miguel Lúcio Dutra, 63, para roubar R$ 100. Após a morte, ele trancou a casa e foi com um amigo jogar sinuca e beber em um bar. A polícia investiga se houve a participação de mais pessoas no assassinato. Arrependido, Márcio cometeu suicídio três dias depois, se enforcando numa árvore, em uma fazenda de Miguelópolis.
De acordo com as investigações do Setor de Homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), tudo leva a crer que Márcio José Dutra seria mesmo o autor do bárbaro crime ocorrido na residência da Rua Salvador Mazini. No local, morava o pedreiro Miguel Lúcio Dutra e o acusado, que segundo a própria família era viciado em bebida alcoólica e entorpecentes.
No sábado pela manhã, uma vizinha encontrou o pedreiro agonizando dentro de casa, com graves ferimentos na cabeça. A porta do imóvel estava trancada com cadeado pelo lado de fora. O filho da vítima havia desaparecido, sendo visto pela última vez na noite de sexta-feira. Miguel chegou a ser socorrido, mas morreu ao dar entrada no Pronto-socorro “Doutor Janjão”.
Após o crime, a polícia começou a ouvir possíveis testemunhas e a ligar o desaparecimento do rapaz à morte do pedreiro. “Ele era a única pessoa, além do pai, que tinha as chaves da casa”, disse o delegado Márcio Murari. Na última segunda-feira, foi localizado um amigo do suspeito que foi visto nas imediações na noite do crime.
Em depoimento à polícia, ele afirmou ter levado Márcio até a residência do pai, pois iria pegar dinheiro para ambos viajarem. “Ele disse que deixou o Márcio no local e ficou esperando no quarteirão seguinte. Meia hora depois, Márcio voltou com R$ 100, abasteceu a moto e ambos seguiram para Miguelópolis”, disse Murari.
A testemunha também informou não saber que Márcio havia matado o próprio pai para roubá-lo. Segundo o amigo do acusado, antes de chegarem no destino, pararam em Ribeirão Corrente para comer lanches. “Ele disse que chegaram a jogar sinuca e ainda beberam cervejas. Depois foram para Miguelópolis. Lá, ele deixou o Márcio e voltou para Franca”, disse Murari.
Uma outra testemunha ouvida pela polícia afirmou ter visto no sábado pela manhã Márcio Dutra em Miguelópolis. Ela disse que o rapaz chegou a comentar que não voltaria para Franca pois havia tido um problema com a polícia.
Na tarde de terça-feira, Márcio José Dutra foi encontrado morto por enforcamento em uma fazenda às margens da Rodovia Assis Chateaubriand, entre Miguelópolis e Guaíra. Perto do corpo, na parede de uma casa abandonada, Dutra escreveu a data de sua morte e seu endereço de Franca. O desempregado se matou no dia em que completaria 33 anos.
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