Cada louco com sua mania


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A maioria das pessoas tem alguma mania. Alguns até podem negar, outros juram não perceber. Mas as manias são como uma segunda identidade, algo pelo qual muitos acabam sendo lembrados pelos amigos. O difícil é admitir aquele hábito de cantarolar enquanto dirige, pisar em algumas partes da calçada e pular outras, roer unhas, anotar as placas dos carros para jogar no bicho, morder o canto da boca e até jogar cachaça pro santo, entre outras. A palavra “mania” vem do grego e significa loucura. Ela está em toda parte! Pode até ser contagiosa ou se estender a outras pessoas. É difícil de ser definida, mas fácil de ser identificada. Elas chegam sem ser anunciadas. Quando nos damos conta, já se instalaram na mente e no corpo sem que tenhamos controle. E abrangem diversos tipos, desde um vício de linguagem, como uma pergunta no final de quase toda frase (o conhecido sabe, né? você tá me entendendo?), até hábitos irritantes, como a obrigação de consertar todos os quadros tortos de um ambiente, entre outras. Mania também é considerada excentricidade, extravagância. Em outras palavras, esquisitice mesmo. Sem dúvida, cada um de nós tem excêntricos hábitos. Há pessoas que possuem a mania de lavar as mãos constantemente. Outras não dormem sem ir ao banheiro ou tomar água antes de dormir. Há cidadãos que possuem o costume de organizar tudo onde quer que estejam. Outros de limpeza, só não lavam a água porque não conseguem. Meu tio Ivan, já falecido, tinha a mania de trancar a porta do quarto antes de se deitar. Durante a noite levantava várias vezes para conferir se a porta estava mesmo fechada. Tenho um amigo que dorme com o ventilador ligado, tanto no inverno quanto no verão. Outro só toma banho no escuro. Mas essa mania de um vizinho que só come batata frita com doce de leite é a mais extravagante que já vi. Gente famosa também tem lá suas esquisitices. Lendo a biografia do nosso ex-presidente, Juscelino Kubitschek, descobri que, em qualquer reunião ou encontro em que estivesse, sem nenhum constrangimento, tirava os sapatos. Pablo Neruda gostava de escrever somente com caneta de tinta verde. Albert Einstein apreciava se deitar na banheira vazia para estudar. As manias são uma válvula de escape para satisfazer ou realizar algo que a pessoa censura, mas não tem consciência. É bem mais comum do que se possa imaginar. Desde cutucar o ouvido com tudo que caiba nele, até anotar os sonhos para não esquecer, mesmo se acordar de madrugada. Mania não faz distinção de raça, cor, religião, idade ou mesmo status social. Divertida, bizarra ou curiosa, a verdade é que faz parte do cotidiano da maioria das pessoas. A psicóloga e jornalista Vanessa Maranha concorda que todos nós temos em maior ou menor grau nossas manias, nossos pequenos rituais. Para ela, se não se tornarem um peso na rotina, se não forem constrangedores, incontroláveis e repetitivos em excesso (obsessivo-compulsivos, enfim!), não há razões para alarme. Importante, de acordo com Vanessa Maranha, é salientar que as manias/rituais estão sempre associadas à ansiedade. Conhecer as raízes dessa ansiedade para aprender a lidar com ela talvez seja uma boa medida preventiva, recomenda a psicóloga. “Sísifo, o personagem da Odisséia, de Homero, é a metáfora mais citada para exemplificar o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), na seara da psicopatologia, ou seja, quando as simples manias se deflagram em doença: no mito grego, por ter enganado Zeus, Sísifo foi condenado a levar uma grande pedra até o topo de uma montanha para vê-la rolar e então ter de começar tudo de novo para sempre”, ilustra ela. “Já o conceito de ‘neurose obsessivo-compulsiva’ foi cunhado por Freud no início do século passado. Há, aliás, um belo caso clínico descrito por Freud (‘O Homem dos Ratos’) que pode, inclusive, ser lido como literatura e ilustra bem a questão do obsessivo-compulsivo. Outro caso interessante é o de Schreber, tanto um quanto outro, apontando para a conflituação sexual como força motriz desses afetos. Ainda hoje, para a psicanálise, pensamentos e rituais pejados pela compulsão e pela obsessão são vistos como uma resposta inconsciente a desejos que causam ansiedade. Tais rituais compulsivos e pensamentos obsessivos seriam a estratégia do sujeito para não trazer seus conflitos para a consciência. Uma estratégia que fracassa, porém, na medida em que as manias e obsessões vão tomando conta de sua vida. Não seria então, nesse caso, mais adequado procurar uma psicoterapia ou uma análise para o enfrentamento desses conflitos?”, sugere a psicóloga. Ricos Vivemos num país de ricos. O sistema de loterias da Caixa Econômica tem mais de R$ 100 milhões em prêmios que nunca foram reclamados por seus ganhadores. Sinal que dinheiro anda abundante. NEGATIVO Os defensores ambientais constataram que para se fabricar o papel higiênico branco e macio é preciso derrubar maior quantidade de árvores, bem mais do que para obter o papel mais grosso, estilo usado nos WC de beira de estrada. Já que não é possível fazer papel higiênico com material reciclado, o modelo macio e com folhas duplas ou triplas está na corda bamba. Será o retorno do velho sabugo de milho? POSITIVO Segundo o dicionário Houaiss Ilustrado MPB, o cantor Wilson Simonal, em 1972, no auge do sucesso, foi acusado de colaborar com órgãos repressivos do regime militar, amargando o ostracismo até a morte em 25 de junho de 2000. Somente em 2003 foi comprovado não haver evidências que confirmassem aquela suposição. Embora tardio, reconhecer e divulgar a inocência do cantor é um ponto positivo. DESEJO OBEDECIDO Desejo do pai de conhecido político era, quando morresse, ser enterrado com todo o seu dinheiro. Chegado o momento, o filho político ficou com toda a grana e colocou dentro do caixão um cheque nominal. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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