É impressionante a crescente onda das agressões e violência de alunos a professores, em escolas de todos os níveis, no País todo. Os mestres, outrora respeitados, hoje sentem-se acuados, à mercê dos atos praticados dentro da sala de aula ou fora dela, porque a clientela está cada dia mais violenta.
Além dos alunos, pais de alunos despontam também como agressores. E o pior é que as direções de muitas escolas, com medo de represálias, coagem os agredidos a não prestarem queixa. Esse acovardamento só piora a situação.
Dias atrás, a crônica registrou o caso da aluna gaúcha de 15 anos que provocou traumatismo craniano na professora, declarou não estar arrependida e ainda conta com o apoio de seus colegas. Como esse, existem centenas de casos, mas muitos acabam criminosamente abafados, por inércia do governo e dos próprios envolvidos.
Especialistas dizem que está faltando ética e etiqueta nas relações aluno-professor. As crianças aprendem cada dia menos o necessário no seu ambiente familiar, chegando à escola sem parâmetros ou limites. Fica para a escola a tarefa de transmitir também os conhecimentos que a família deveria ter ensinado, mas as instituições não estão preparadas estruturalmente para isso.
Para fazê-lo, precisariam, além de professores, criar as figuras da “personal mater” e do “personal pater”. Um verdadeiro absurdo!
Por exagerada que pareça, essa observação tem de ser estudada com seriedade e à exaustão. A educação não pode continuar com as escolas transformadas em praças de guerra. Algo tem de ser feito pelo governo e pela sociedade, para recuperar a normalidade do setor.
A violência escolar, da forma que se apresenta, envolve pelo menos cinco ou seis áreas: Educação, Promoção Social, Polícia, Judiciário e os centros de inteligência que estudam a área educacional. Antes que a escalada nos leve à inviabilidade do sistema, é necessário o encontro de saídas conjuntas, já que o problema é multidisciplinar. De nada adiantará o governo, enquanto “patrão”, resolver apenas o problema salarial dos educadores e as instalações físicas da escola sem ter como controlar a clientela.
Também pouco representará a ação policial ou judicial sem a busca da base do problema. A ação tem de ser muito bem estruturada e coordenada. Do contrário, não surtirá efeito. Ao mesmo tempo que os governos resolvam a vergonhosa crise salarial dos professores e cuidem melhor das instalações, será necessário as polícias e o Judiciário atuarem com firmeza sobre os problemas já instalados e os órgãos sociais desenvolverem políticas públicas eficientes para exigir a paternidade e guarda responsável dos menores.
A família tem de ser apoiada, mas também obrigada a fazer a sua parte. Sem essa sinergia, a tendência é marcharmos para o colapso. E os milhares de jovens, que o mercado de trabalho aguarda para absorver nos próximos anos, não conseguirão a formação necessária. É uma tarefa de elevadíssimo interesse social, que não pode, em hipótese nenhuma, ser mais postergada.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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