Direito e liberdade


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Ao ler recentemente, – hábito meu permanente – texto de Luiz Neto, "Tiro n`água", me vi mergulhado em reflexão sobre fatos do cotidiano em nosso País varonil. Aqui, abençoada mãe pátria de Rui Barbosa que sentiu vergonha de ser honesto, gravando em prosa seu sentimento (até hoje atual, quase um século depois) – "De tanto ver a desonra prosperar e triunfar a nulidade, não posso permitir-me o direito de abandonar a luta que propõe o refrigério da mente humana, pugnando pela maximização do bem com ética, cidadania e respeito ao próximo, incluindo seu direito e liberdade”. Nosso esforço, nossa persistência, sempre será ponto positivo ao contestar a tergiversação dos muitos que, ascendendo ao poder, dele passam a usufruir sem o menor resquício de honra e zelo. Jamais será um tiro n`água qualquer ação que responda ao chamamento da verdade - ainda que ela contrarie interesses de poderosos desejos. É muito comum saber-se de pessoas - iniciando a caminhada para o crescimento com criatividade - destacando na sociedade por sua correção moral e lisura de comportamento. Passam a ser alvo da inveja e contestação. Cruzar seus caminhos com obstáculos difíceis de serem transpostos até vencerem sua determinação, se transformam em objetivo permanente de insanos. Aquele que adentrado ao funcionalismo se revela pela vontade do destravamento da máquina, cai na execração dos demais que pretendem o contrário. Assim, a sucessão de fatos vai exterminando sonhos, amortecendo vontades e vocações vibráteis, para ceder lugar à inação indolente vivendo a sombra da inveja, aprimorando-se em reclamar direitos e liberdades sem, contudo, admitir ou reconhecer a obrigatoriedade dos deveres. Em um grito de esperança devemos concitar o vizinho a participar da construção do novo modelo: arregaçar as mangas, deitar mãos aos tijolos e levantar a forte barreira que detenha o mal com a égide da verdade e sem medo dos inescrupulosos. Voltando ao Águia de Haia, – Rui Barbosa – recordamos suas palavras em Oração aos Moços, pronunciadas em 1920 (rol de ensinamentos ainda válidos para a independência moral e ética de jovens acadêmicos de direito): "Entre vós, porém, moços, que me estais escutando, ainda brilha em toda a sua rutilância o clarão da lâmpada sagrada, ainda arde em toda a sua energia o centro de calor, a que se aquece a essência d`alma. Vosso coração, pois, ainda estará incontaminado; e Deus assim o preserve". Útil será o homem ou mulher que permaneça na luta, entrincheirado no quartel da razão, a combater a corrupção e corruptores, com valentia e sem temor. Útil será o homem ou mulher que conscientemente saiba usar seu poder decisório através do direito e liberdade do voto ao indicar dignos governantes. "A eleição indireta tem por base o pressuposto de que o povo é incapaz de escolher acertadamente os deputados". "Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado"! (Rui Barbosa) Garcia Netto Jornalista

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