Desemprego faz dobrar procura por cursos do Fundo de Solidariedade


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Uma turma de 930 francanos arregaçou as mangas e pôs literalmente as mãos na massa (no jardim, na tela, na costura, etc.) em busca de uma alternativa para espantar o fantasma da crise. Esse é o número total de alunos capacitados em fevereiro deste ano pelo Fundo Social de Solidariedade nas salas de aula montadas em vários bairros de Franca. A procura mais que dobrou em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram capacitadas 408 pessoas. Para a Prefeitura a grande procura pode ser explicada pelo medo do desemprego. Rejane do Couto Rosa Spessoto, assistente social e uma das organizadoras dos cursos, conta que quase não é capaz de atender a todas as ligações que o Fundo recebe diariamente. “A gente não aumentou o número de vagas. Os cursos estão todos lotados e o telefone não para. As pessoas passam o dia inteiro ligando para pedir uma vaga. A maioria diz que é por falta de serviço”, disse. O que a coordenadora vive na sede do órgão, a culinarista e professora do curso de panificação Eliana Helena Pinto atesta na sala de aula. “Ao percorrer os bairros, o que mais a gente vê é gente procurando dar um jeito de trabalhar e ganhar dinheiro. Ou porque perdeu o emprego ou porque o marido ficou desempregado”, conta. Essa é exatamente a situação enfrentada por Sandra Maria da Silva, 32. Ela diz já ter pespontado sapato em casa e trabalhado como faxineira para ajudar o marido a sustentar a casa e os dois filhos. Em 2007, no entanto, resolveu investir em uma alternativa: fazer pães e bolos para vender. A decisão se mostrou muito mais importante para sua vida agora do que Sandra poderia imaginar à época. “Sempre gostei de cozinhar, então achei que podia dar certo. E graças a Deus deu. Meu marido trabalhava em um curtume, mas foi demitido no fim do ano passado. O seguro-desemprego dele acaba agora. Ainda bem que a gente tem esse dinheiro dos bolos”, disse orgulhosa. OS CURSOS Qualquer pessoa com mais de 14 anos pode se inscrever em um dos cursos oferecidos pelo Fundo Social de Solidariedade. São mais de dez opções, entre elas estão: panificação, bolo, bombom, biscuit, tear, bordado, em couro com pedraria, bijuteria em couro, pintura em painéis, corte e costura, jardinagem masculina e feminina e garçom. As aulas são ministradas por pessoas contratadas pela Prefeitura como trabalhadores temporários. A carga horária dos cursos varia de 8 a 84 horas. O planejamento de dias e horários das turmas é elaborado a cada dois meses, de acordo com a procura de cada “disciplina”. Os interessados devem procurar um dos seis pontos onde os cursos serão oferecidos, levando um documento pessoal (RG ou CPF) e um comprovante de residência. Todos os cursos são gratuitos e, normalmente, realizados em centros comunitários, salões de igrejas católicas e evangélicas, centros espíritas, escolas, sede da oficina escola, Jardim Zoobotânico e creches. SERVIÇOS O Fundo Social de Solidariedade funciona no Colégio Champagnat, de segunda a sexta, das 8 às 17 horas. O telefone é 3711-9311

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