A VIDA DEPOIS DA CURVA DA MORTE


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RECUPERAÇÃO LENTA - Sobrevivente da tragédia, Cristiane Helena caminha ao lado da mãe, Marta Helena, na fazenda em que moram em Rifaina: garota quebrou o braço, teve de implantar oito pinos na coluna, perdeu o movimento
RECUPERAÇÃO LENTA - Sobrevivente da tragédia, Cristiane Helena caminha ao lado da mãe, Marta Helena, na fazenda em que moram em Rifaina: garota quebrou o braço, teve de implantar oito pinos na coluna, perdeu o movimento
Completa um ano neste sábado o acidente na “curva da morte”, quilômetro 459 da Rodovia Cândido Portinari, que resultou em cinco mortos e dois feridos graves. A tragédia foi provocada por um caminhão carregado de pisos que desceu a serra existente no trecho a 125 km/h e bateu de frente com uma Perua Kombi que levava alunos de Rifaina para a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca. Doze meses depois, as duas únicas sobreviventes não retomaram suas rotinas e ainda dependem de cuidados médicos. Denunciado por cinco homicídios, o motorista do caminhão ainda não foi julgado pela Justiça. A Perua acidentada prestava serviços para a prefeitura de Rifaina e transportava três portadores de deficiência para a Apae de Franca. Os outros três passageiros haviam pego carona. O caminhão carregado com 20 toneladas de pisos seguia em direção a Patos de Minas. O motorista Valmir Borges, 43, perdeu o controle na entrada da curva, atravessou a pista contrária e bateu em um barranco do lado esquerdo. Desgovernado, voltou para a via e acertou em cheio a Kombi. Morreram na hora o motorista da Kombi, Laércio Masson Filho, 42; a mulher dele e funcionária da prefeitura de Rifaina, Eliana Carmem Pinho Masson, 40; a professora de educação física Jaqueline Pereira Pinho, 24, sobrinha do casal; o universitário Gean Wictor de Lima Cordeiro, 18, e a aluna da Apae Isabel Cristina Barbosa dos Santos, 19. Kétima Santana Fonseca e Cristiane Helena Santos, alunas da Apae, sofreram politraumatismo e foram levadas para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa. Um ano após o acidente, elas receberam a reportagem e falaram sobre seus dramas. A assistente social da prefeitura de Rifaina, Sílvia Donizete de Resende, mantinha um contato diário com os ocupantes da Kombi. No dia do acidente, o veículo em que estava ficou parado na serra aguardando a liberação da pista. Ela não sabia o que havia acontecido. "Desci para ajudar e levei um grande susto. Jamais imaginava que todas as pessoas que morreram eram do meu convívio. Eram crianças que eu atendia, pessoas com quem eu falava todos os dias. Foi muito traumatizante". Este sábado (28 de março) será um dia marcante para os moradores de Rifaina. "A cidade nunca esqueceu desta tragédia. Já aconteceram outros acidentes na curva e sempre lembramos o que a nossa família passou", comentou Cláudio Masson, irmão do motorista Laércio. "A dor ainda continua. Desde o começo desta semana, estamos revivendo tudo", contou a professora Vera Lúcia Pinho Alcântara. Ela perdeu três parentes no desastre. Uma missa, às 19 horas, Paróquia de Santo Antônio será celebrada em memória das vítimas. Responsável por apurar as causas do acidente, o delegado Fábio Branquinho indiciou o motorista do caminhão por homicídio doloso. "Ele assumiu o risco de matar". Já o promotor de Justiça de Pedregulho, por onde corre o processo, Alex Facciolo Pires, resolveu fazer a denúncia por homicídio culposo (sem intenção de matar), tendo em vista que Valmir Borges causou as mortes por imprudência. "O processo está chegando ao fim. Acredito que uma sentença possa ser dada ainda neste primeiro semestre. O Ministério Público aguarda uma condenação. Apesar de ser privativa de liberdade, a pena pode ser substituída por restritiva de direitos".

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