Contrariando as expectativas, os mais de 9 mil trabalhadores da indústria calçadista de Franca que perderam o emprego em dezembro passado não receberão as duas parcelas extras do seguro-desemprego programadas pelo Ministério do Trabalho. Durante o anúncio da concessão do benefício ocorrido ontem, o setor ficou de fora da relação dos beneficiados.
Anteriormente os francanos eram cotados como fortes candidatos a receber as duas parcelas já que a indústria calçadista está entre os setores mais prejudicados com a crise. No Estado de São Paulo, serão contemplados 44.312 trabalhadores de seis setores. Entre eles, o de couro, mas o Ministério do Trabalho não apresentou números específicos por município. O setor têxtil também será beneficiado.
A justificativa para a não concessão do benefício aos sapateiros são os resultados positivos alcançados no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) em janeiro e fevereiro. Nos dois meses, Franca ficou com saldo acima de 1,1 mil contratações, o que, para o MT, significa recuperação do emprego.
O critério adotado pelo Ministério do Trabalho para a ampliação do pagamento foi a realização de uma média histórica, entre 2003 e 2009, da evolução do emprego formal de cada subsetor de atividade, com base no movimento dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro últimos. "Os que tiveram saldo negativo 30% superior a esta média entraram no benefício", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
A assessoria de imprensa do MT disse que o ministro não prometeu o aumento do número de parcelas para os trabalhadores do setor calçadista de Franca. "Era só uma estimativa. Os números ainda não tinham sido analisados", disse uma das assessoras.
Em fevereiro, a indústria de transformação da cidade teve saldo de 1.320 vagas abertas, total superior ao de anos anteriores. "Com certeza, ao analisar a média histórica, o MT percebeu que todos os dezembros são negativos e, dessa vez, o resultado não foi muito diferente. É um dinheiro que deixa de vir, mas ao mesmo tempo mostra que a indústria calçadista voltou a contratar", disse o gerente regional do MT em Franca, Jamil Leonard.
Caso o recebimento de duas parcelas adicionais fosse liberado para os demitidos, elas seriam pagas automaticamente. Atualmente o seguro desemprego varia de três a cinco meses, dependendo do tempo em que o trabalhador ficou no emprego, e paga entre R$ 465 a R$ 870, sendo o valor médio pago é de R$ 595,20. Com a medida temporária, as parcelas chegam a sete meses.
<b>Ouça abaixo a entrevista com Jamil Leonardi:</b>
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