A volta do castigo escolar


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Muita gente sofreu castigos na escola. Vergonha das vergonhas era um aluno ter de ficar em pé perto da porta da sala de aula por um bom período. Isso, às vezes, acontecia normalmente com os moleques. Menina, naquele tempo, era sempre disciplinada. Mas, em caso de não saber a lição, a régua de madeira ou a vara de marmelo funcionavam nos braços ou nas pernas de ambos. A igualdade dos sexos talvez tenha se iniciado com a falta de aprendizagem na escola. Virou até ditado popular: “Escreveu, não leu, o pau comeu”. A falha sempre era punida com pancada certeira em alunas e alunos. Não havia diferença para a aplicação do castigo. Pedagógico, não? Pelo menos, a repetência era pequena. Não provocava complexo de nada. Na última quinta-feira, o prefeito Sidnei Rocha sentiu na própria pele o descaso de alunos de hoje para com os ensinamentos recebidos na escola. Durante a cerimônia de lançamento do Projeto Nosso Espaço, que visa arborizar várias regiões da cidade, o alcaide não recebeu a devida atenção de alguns adolescentes enquanto lhes falava sobre a importância do plantio de árvores para a manutenção de nascentes. À sua maneira, o prefeito resolveu logo o problema da falta de atenção. Além de elevar a voz, passando uma descompostura no aluno desatento e falante, ainda lhe deu um castigo. O rapaz foi obrigado a plantar mudas de árvores na escola imediatamente. Aliás, uma boa pena. Se a moda pega, já imaginou a quantidade de verde pela cidade? No entanto, professor ou diretor não podem castigar alunos por motivo algum. Mudando o rumo do castigo, as escolas estaduais inovaram e implantaram outro tipo de penalização. Os alunos das séries finais de cada ciclo de ensino fizeram provas no final de 2008. O baixo aproveitamento obtido por eles foi punido com pintura dos prédios escolares em pleno período de aula. Isso mesmo! Pintar uma escola com os alunos dentro, só pode ser castigo. Quem já fez pintura em sua casa sem desocupá-la antes, sabe dos transtornos pelos quais passou. Junto à desordem dos móveis, todo tipo de doença alérgica aflora nos moradores devido à aplicação de esmalte nas ferragens. A pintura de um prédio escolar ocupado provoca um caos total. A regra seguida está em desocupar uma sala de aula de cada vez. Enquanto isso, os alunos ocupam salas improvisadas ou o próprio pátio. Os ocupantes das salas contíguas à que está recebendo o serviço ficam expostos aos efeitos de tinta fresca. Não bastasse isso, no outro dia a sala pintada volta a ser usada sem que a pintura tenha curtido. Professores e alunos ficam confinados em um local insalubre. Se portas e janelas forem abertas, ninguém suporta o cheiro que vem da outra sala. O resultado é tosse, irritação ou inflamação na garganta, incidência de herpes e outros males mais. A contradição desse castigo todo fica por conta da burocracia ditatorial do Estado. A direção da escola não pode recusar o serviço, mesmo no caso de a escola ter sido pintada recentemente. Também não pode transferir a realização da pintura para as férias de julho, período de seca e dos mais indicados para aplicação de tinta em um imóvel. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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