A Câmara da Igarapava abriu e encerrou a sua 1050ª sessão em menos de cinco minutos na noite de ontem. Depois da ação dos promotores de Justiça do Gaeco (Grupo de Ação Especial Contra o Crime Organizado) de Franca, em 18 de março, que prendeu cinco vereadores sob a acusação de concussão e formação de quadrilha, o Legislativo foi reduzido a menos de metade. Dos nove parlamentares da cidade, apenas quatro puderam participar da reunião. A indignação popular era generalizada e o plenário estava lotado, mas não foram registrados incidentes.
A sessão foi presidida pela vereadora Denize Mattar Soukef Gobbi (PT), parlamentar que ocupava a vaga de segunda-secretária da Mesa Diretora. Por força da Lei Orgânica do município, Denize abriu a sessão, mas a deu fim em seguida por falta de quorum para votação de qualquer projeto. Ao lado dela, isolados à frente dos populares, estavam os vereadores Marcelo Israel Soares dos Santos, Eurípedes Barsanulfo Soares da Silva e Vicente de Paula Albertão.
Depois de ler trechos da lei que rege os trabalhos na Câmara, Denize Gobbi convocou os cinco suplentes para ocupar seus lugares na sessão do dia 30, próxima segunda-feira. Denize não soube informar os nomes completos destes suplentes, mas somente seus apelidos.
A vereadora negou que o prazo de uma semana para que as cadeiras sejam ocupadas vise a favorecer qualquer um dos cinco presos na ação do MP. “Esta não é uma situação que se resolve do dia para a noite. Os suplentes devem ter um tempo para arrumar sua documentação, que não se resume ao CIC (CPF) e ao RG”, disse Denize.
No plenário, eleitores se manifestaram contra os vereadores Alan Kardec de Mendonça (PSDB), José Laudemiro Alves (DEM), José Eurípedes de Souza, Roberto Silveira (PSDB) e Sérgio Augusto Freitas (PP). “Se segunda-feira qualquer um deles estiver sentado aqui, o povo vai destruir essa Câmara”, disse o garçom Francisco José Neto, 38. “Sou cidadão dessa cidade. Trabalhei catando lixo e não tenho valor; sou honesto e não tenho valor. Se eles voltarem eu ponho fogo no meu título”, falou outro morador.
PREFEITO
A rotina do prefeito Francisco Tadeu Molina (PSDB) pouco mudou depois da prisão dos vereadores de Igarapava. Ao Comércio disse que estava prestes a renunciar ao cargo, caso a pressão do grupo continuasse. Questionado por que não denunciou o caso à Promotoria, disse que não tinha provas. “Porque fiquei com medo de não conseguir provar e cair ainda mais nas mãos deles”, disse.
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