Em entrevista ao Comércio da Franca, o arquiteto Sérgio Machado explica que o pensamento alinhado com o meio ambiente se intensificou com o conceito de arquitetura sustentável ainda na década de 1970 e ficou mais presente a partir dos anos 90, quando a consciência ecológica se converteu em eventos como a Eco-92, no Rio de Janeiro. Ele comenta que, apesar da incipiente demanda de projetos completamente ecológicos na cidade, os francanos têm demonstrado interesse, sobretudo porque ser ecológico pode ser uma maneira de economizar na hora de construir ou reformar. Confira a entrevista.
Comércio da Franca - É possível dizer que a ecodecoração é uma tendência desde quando?
Sérgio Machado - A utilização de produtos ditos ecologicamente corretos ou sustentáveis é uma tendência que se desenvolveu como consequência de outra tendência, a arquitetura sustentável. O início do debate mundial sobre o assunto data de 1973, ano da primeira crise mundial do petróleo, mas chega ao Brasil com mais consistência em 1992, quando o Rio de Janeiro sediou a 2ª Conferência Mundial para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (Eco-92). O assunto torna-se popular a partir do escândalo do apagão em 2001 e 2002.
Comércio - Por que acha que as pessoas têm aderido a essa tendência?
Machado - A consciência ecológica de uma maneira geral tem aumentado nos últimos tempos. Todos se interessam por fazer sua parte. (...) Construir pensando em sustentabilidade tem de gerar economia, satisfação e conforto ao longo dos anos em que o imóvel será utilizado.
Comércio - Como está a procura por esse estilo em Franca?
Machado - A procura específica por esse estilo é pequena, mas o interesse sobre o assunto é grande quando exponho as vantagens de sua utilização. Todos se interessam por economizar. Tudo começa já durante o projeto de arquitetura, onde soluções sustentáveis são incorporadas à futura construção.
Comércio - Quais são os móveis e itens decorativos que mais se destacam no ramo da decoração verde?
Machado - Não consigo citar um único tipo de objeto. Poderia falar de um tapete feito de fibras de garrafas pet, muito macio e que pode inclusive receber chuva, de uma luminária feita com casca de coqueiro, de uma cama produzida a partir de madeiras de reflorestamento ou de sofás que combinam marchetaria (vários tipos e tonalidades de madeiras) e revestimento de lona de caminhão!
Comércio - Optar por esse tipo de decoração é mais caro?
Machado - Algumas vezes os objetos podem se tornar caros em função do caráter artesanal, artístico ou por não serem produzidos industrialmente em larga escala. Outras vezes são baratos. Exemplos são os móveis reciclados ou usados que, reformados, ficam com cara de novos, ou itens de demolição, como portas antigas em madeira de lei entalhada recuperadas que parecem saídas da loja. Objetos assim custam em torno de 30% a 50% do valor dos similares novos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.