Ex-funcionários da Calçados Agabê se reúnem hoje, às 8 horas, no salão do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, para discutir proposta da empresa para o pagamento das dívidas trabalhistas. Demitidos em 1º de fevereiro de 2008, os trabalhadores têm mais de R$ 2,1 milhões a receber. Como a Justiça ainda não deu seu parecer sobre o processo de recuperação, um acordo com os funcionários deverá ser firmado à parte.
A discussão será conduzida pela diretoria e pelo jurídico do Sindicato dos Sapateiros. Ontem pela manhã, diretores da empresa entregaram aos sindicalistas a proposta a ser apresentada para análise dos ex-funcionários. Entidade e empresa não revelaram os detalhes do documento que foi apresentado pelo próprio presidente da Agabê, Miguel Heitor Betarello.
Em que pese não antecipar as formas de pagamento, o sindicato adiantou que a assembleia votará proposta de parcelamento para quitação das verbas rescisórias (férias, 13º salário e aviso prévio) que hoje somam R$ 1 milhão. Para outros R$ 1,1 milhão referentes à multa de 40% do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), a empresa deverá oferecer imóveis como garantia de pagamento. Este último, provavelmente, será incluído no plano de recuperação judicial.
Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, explicou que a empresa avançou nas propostas, mas são os funcionários que decidirão se haverá aprovação. “É a assembleia que analisa se compensa ou não aceitar. Na realidade, essa proposta é uma antecipação ao plano de recuperação”, disse Paulo.
SEM ACORDO
Desde que fechou as portas e demitiu 500 trabalhadores, a Agabê pagou apenas um abono de PLR (Participação de Lucros e Resultados). Em fevereiro último, a empresa anunciou a intenção da empresa em pagar R$ 60 mil mensais aos demitidos, a partir deste mês. A proposta foi apresentada em assembleia que contou com a participação de mais de 400 pessoas. A rejeição foi unânime.
Outro encontro na manhã de hoje deverá definir o futuro de milhares de trabalhadores das indústrias de calçados. O sindicato realiza assembleia geral da categoria para discutir os rumos da negociação salarial.
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