Recebi dia destes, em visita profissional ao GCN, o jornalista Daniel Pereira, da Secretaria de Comunicação do governo do Estado de São Paulo, em missão estratégica: saber facilidades e dificuldades de diálogo entre meios de comunicação do interior e as várias áreas do governo paulista.
Animei-me e animei vários dos editores do Comércio e Difusora. Quem sabe a visita do experiente jornalista pudesse inaugurar, finalmente, linhas abertas, diretas, capazes de possibilitar acesso à informação que até aquele dia precisávamos – nós e toda a mídia interiorana – e tínhamos que tentar extrair a fórceps de engessadas assessorias de imprensa do governo paulista.
Para quem não sabe, todos os dias nos lançamos a percorrer tortuosos caminhos interpostos pela burocracia estadual para liberar informação.
Conto pelo menos um caso, para aclarar a visão do leitor: estamos em busca de acesso a dados coligidos pela Ronda Escolar, da Polícia Militar. Entendemos que, analisando os registros poderemos entender melhor a violência, o tráfico de drogas, ações de gangues, furtos e roubos a escolas. De posse de informações do tipo poderemos contar melhor os possíveis problemas que interferem na qualidade do ensino que se ministra na cidade.
Procuramos então a Polícia Militar. Lá, dizem que o assunto é de competência da Diretoria Regional de Ensino. Vamos em busca da diretora local, Ivani Marchesi. Ela se recusa a fornecer dados.
Diz, por seus subordinados, que apenas a Secretaria da Educação, em São Paulo, pode se manifestar. Aliás, de passagem, é preciso contar: Ivani quase não conversa com jornalistas. Remete todo mundo a São Paulo. Como conheço a determinação do governador José Serra em dar transparência a todos os atos de sua gestão, fico pensando que talvez ele não saiba o que anda acontecendo na base e nas atividades/meio da pirâmide do governo paulista. E, se souber e for conivente, então não tem mais jeito. Ao contatarmos Secretaria, gentis atendentes comprometem-se, mas não resolvem nada. Desaparecem. Círculo vicioso. Nós e leitores preocupados, ficamos com cara de tacho... A informação correta que se dane.
Pois bem. Daniel veio a Franca – e foi a inúmeras cidades – para ouvir coisas do tipo. Daqui, ao saber sobre estas pedras, ligou à Secretaria de Comunicação e disse: "procurem o pessoal da Educação e resolvam o problema. Não dá para imaginar que jornais não têm prazos de fechamento. Resolvam o problema!".
Disse e se foi. Não aconteceu nada. Eu já me metia a pensar que Daniel foi outro fogo-de-palha a zanzar pelo interior para falar sobre a "boa intenção" do governador. Não deu tempo.
Recebi ontem a informação que ele e Marcos Fonseca (dono da empresa Attaché, de comunicação, que gerenciava o projeto de aproximar o governo de São Paulo dos meios de comunicação do interior, "segundo o desejo do governador José Serra, expressado ao Secretário de Comunicação, Bruno Caetano"), estão fora.
A notícia ainda não foi divulgada. Não me meto aqui a analisar razões políticas, pessoais ou profissionais que tenham contribuido para que saíssem. Frustra, isto sim, saber que o que parecia ser ação capaz de aumentar a velocidade de comunicação com a mídia do interior, fez água.
Espero que Júnia Nogueira de Sá, ex-diretora de Assuntos Corporativos e Imprensa da Volkswagen do Brasil e primeira mulher a ocupar o cargo de ombusdman na imprensa nacional, ela que assumiu funções vitais na Secretaria de Comunicação do governo estadual ao final do ano, não pense em enterrar a possibilidade que a Attaché criou e trabalhava para implantar. Serra, ao que penso, queria facilitar caminhos para a imprensa do interior. Será que desistiu?
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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