‘Eu quero minha mãe’, diz Adriana


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Adriana Telini não esconde que não gosta da imprensa e que detesta os investigadores da DIG. “Ao nos encontrar em Sumaré, ela disse que era um desprazer ver a gente. De repente, partiu para a agressão física contra toda a equipe e tentou rasgar minha camisa”, contou Mauro César, chefe da equipe de investigadores. A advogada veio para Franca em um camburão. Ocupou o compartimento traseiro, o chamado “chiqueirinho”, lugar destinado ao transporte dos presos. Adriana permaneceu calada a maior parte do tempo. Em Ribeirão Preto, disse que estava passando mal e pediu para ir ao banheiro e tomar água. A viatura encostou na porta da DIG com a sirene ligada às 18h52. Telini usava calça branca, camisa cinza e calçava sandálias. Carregava uma bolsa e uma garrafa de bebida isotônica. Ignorou os pedidos de entrevista. Ao entrar na delegacia, descontrolou-se e começou a chorar. “Eu quero minha mãe, minha mãe”, repetiu diversas vezes. Pouco depois, a mãe e um irmão da advogada entraram na sala. Mãe e filha ficaram abraçadas por quase cinco minutos, tempo permitido para a visita. Às 19h30, os policiais avisaram a Adriana Telini que ela iria para a cadeia de Batatais. Antes de deixar a DIG, foi ao banheiro. Na saída, falou à mãe. “Cuida dele para mim. Promete que não vai dar ele para ninguém?”. Policiais disseram que o motivo de sua preocupação era um cachorro. Familiares se recusaram a falar do que se tratava. Ao entrar novamente no camburão, a advogada afirmou que era inocente e disse para os repórteres falarem com seu advogado. “Ela me negou todas as versões apresentadas pela polícia para sua prisão (...). Vou tentar um habeas corpus para que ela fique em uma sala de Estado maior ou, então, em prisão domiciliar. Não há nenhuma condenação contra a Adriana. Há muitas falhas no processo”. Fato é que havia dois mandados de prisão contra Adriana Telini, expedidos no ano passado, por acusações de tentativa de latrocínio e associação para o tráfico de drogas. Os primeiros envolvimentos da advogada ocorrem em 2005, quando um grampo telefônico feito pela polícia flagrou Adriana instruindo bandidos a roubar um casal de clientes seus que estava com R$ 50 mil em dinheiro. As escutas também surpreenderam traficantes usando o telefone da advogada para negociar compra de drogas e Adriana orientando a filha de um presidiário sobre onde estavam enterrados tijolos de maconha. Em junho de 2006, um bandido que havia fugido da cadeia foi preso no escritório dela. Em 2007, com a repercussão dos casos, a advogada foi intimada e prestou depoimento na CPI do Tráfico de Armas da Câmara dos Deputados sob a suspeita de envolvimento com o crime organizado. Em fevereiro de 2008, ficou presa por dez dias e desapareceu da cidade ao descobrir que a Justiça decretara preventiva contra ela. Ontem voltou para a cadeia.

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